Exames revelam que Cristina Kirchner não tinha câncer

Porta-voz anuncia alta da presidente e diz que havia nódulos em ambos os lados da glândula tireoide, mas não células cancerígenas

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2012 | 03h02

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, recebeu alta ontem do Hospital Austral, na cidade de Pilar, na Grande Buenos Aires, e exames mostraram que não havia células cancerígenas na glândula tireoide retirada na quarta-feira, contrariando o diagnóstico médico inicial, informou o porta-voz da presidência, Alfredo Scoccimarro.

"A Unidade Médica Presidencial tem a satisfação de comunicar que o exame histopatológico revelou que não há presença de células cancerígenas na glândula tireoide, modificando o diagnóstico inicial da punção (feita em dezembro)", disse o boletim lido pelo porta-voz. Ele acrescentou que o exame constatou a presença de nódulos em ambos os lóbulos da glândula tireoide da presidente.

Cristina foi levada pelo helicóptero presidencial à residência oficial Quinta de Olivos, na zona norte de Buenos Aires. O porta-voz não esclareceu se a presidente, de 58 anos, ficará realmente afastada do trabalho até o dia 24, como foi inicialmente planejado.

"A presidente descansou normalmente e encontra-se em ótimo estado geral", disse Scoccimarro. "Segundo os médicos, a histologia definitiva foi informada como adenomas foliculares e de acordo com esse diagnóstico favorável a equipe responsável considera que o tratamento cirúrgico realizado é suficiente, não sendo necessária a administração de iodo radioativo na presidente", acrescentou o porta-voz.

Centenas de simpatizantes da presidente acamparam nos últimos dias diante do hospital em que ela estava internada, rezando, carregando fotos de Cristina e cartazes com frases de encorajamento.

Sucessão. A cirurgia foi realizada menos de um mês após Cristina assumir, no dia 10, seu segundo mandato e a notícia sobre o câncer havia desatado um debate inesperado sobre a sucessão presidencial, assunto que era considerado tabu nas fileiras do governo Kirchner. A presidente não pode ser reeleita para um terceiro mandato e, apesar desse impedimento, o kirchnerismo carece de um sucessor de peso para Cristina.

Para analistas, o vice-presidente Amado Boudou - que substituirá Cristina enquanto ela estiver de licença - não possui base política própria. Portanto, só seria respaldado pelo peronismo como candidato à sucessão de Cristina, em 2015, em caso extremo.

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