WALTER PACIELLO
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Excluir a Venezuela agora seria uma medida equivocada, diz diplomata

Para ex-embaixador do Brasil na Argentina José Botafogo Gonçalves, exclusão do país do Mercosul nesse momento é complicado

Lu Aiko Otta / BRASÍLIA, O Estado de S. Paulo

12 Agosto 2016 | 05h00

O Brasil está conduzindo corretamente a controvérsia com a Venezuela?

O ponto de partida é discutir a consistência do programa político e econômico da Venezuela com o Mercosul. O resto é consequência. O que tem de se perguntar é: o governo venezuelano, no tempo de (Hugo) Chávez e agora de (Nicolás) Maduro, é a favor de livre-comércio, livre-circulação de bens e serviços, integração pela redução de tarifas? Se é, então é possível que a Venezuela se torne membro pleno. Se ela permanece como uma economia socialista do século 21, com o Estado dono dos bens de produção, contra livre-comércio com os EUA, então não tem solução. 

É o caso de excluí-la do bloco?

É muito complicado propor a exclusão, porque amanhã o governo muda. A Venezuela está numa fase muito conturbada de discussão interna. Se o governo Maduro será excluído, se o referendo vai cortar o mandato. Excluir o país agora seria uma medida equivocada. É preciso esperar. Enquanto isso, é ficar empurrando com a barriga. 

E um downgrade, como disse o ministro Serra?

É o jeito. Deixar a Venezuela numa segunda velocidade, terceira velocidade. O erro foi tê-la admitido. Agora se paga o preço por um erro diplomático grave. Mas a Venezuela é um grande país. Então, talvez, com a mudança de política ou de governo, o Mercosul possa ter muitos benefícios. É um país que tem toda chance de crescer, e muito. Mas não agora.

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