Exclusão aérea foi imposta ao Iraque nos anos 90

Medida que vigorou por 12 anos tinha como objetivo enfraquecer o poder de fogo do regime de Saddam Hussein

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2011 | 00h00

Caças da aviação da França estavam ontem no ar, em voo de ensaio sobre as águas internacionais do Mediterrâneo no quadrante de aproximação da África, enquanto o Conselho de Segurança votava a imposição de medidas militares contra a Líbia.

A zona de exclusão aérea é apenas um dos recursos autorizados pela ONU para deter a escalada da violência na guerra informal na Líbia. O comando da coalizão europeia pode, agora, decidir pelo ataque preventivo contra a força terrestre ou optar pelo bombardeio a bases do exército fiéis a Kadafi.

A possibilidade foi admitida, há dez dias, pelo comandante americano, James Mattis. Segundo o general, a aplicação do bloqueio aéreo exigiria, antes, um ataque de precisão, destinado a "remover a capacidade de defesa líbia".

O modelo de exclusão pretendido pelos EUA e pela União Europeia é clássico - serão estabelecidos corredores para a passagem do tráfego comercial. A área proibida estará bem definida e será delimitada por coordenadas.

É um procedimento de efeito irreversível - qualquer aeronave flagrada dentro dos espaço de exceção será abatida. O termo aplica-se a aviões militares. Na dúvida, porém, vale a lei da força. Durante os 12 anos de interdição no Iraque, de 1991 a 2003, houve 108 incidentes "de fogo aberto".

As unidades de artilharia antiaérea do ditador são as menos comprometidas pelo longo embargo militar de 24 anos, levantado em 2004.

Arsenal líbio. Os recursos operacionais são oito lançadores quádruplos dos mísseis franceses Crotale, de tecnologia dos anos 70 e alcance na faixa entre 11 quilômetros e 16 quilômetros. Mais moderno, o míssil russo Grail, disparado por um soldado, pode atingir alvos a 4,2 mil metros.

Resta um lote de tamanho desconhecido de canhões ZSU 23/4, blindados, comprados há cerca de 30 anos da extinta União Soviética e modernizados por especialistas ucranianos.

Há um fator complicador, a mudança das dezenas de rotas internacionais que utilizam o espaço líbio.

A vigilância prevista é por meio de radares fixos da Otan e dos sistemas de alerta avançado embarcados em grandes jatos, carregados de sistemas eletrônicos. Serão transferidos também amplos recursos, pessoal de terra estimado em milhares e não menos do que 350 aeronaves para cumprir cerca de 200 missões por dia.

As bases da Itália, liberadas ontem para servirem às operações da ONU, são as mais próximas do litoral da Líbia. Estão todas na região centro-sul, ao longo da costa do Mediterrâneo.

A Otan informou ontem que pode começar, em até oito horas após o sinal verde, a mobilização da sua Força de Pronta Resposta, formada por 14 mil combatentes.

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