EXCLUSIVO-AIEA faz primeira visita a centrífugas do Irã

O Irã autorizou monitores da ONU avisitarem pela primeira vez uma instalação de desenvolvimentode centrífugas, num gesto de transparência em relação a seupolêmico programa nuclear, disseram diplomatas familiarizadoscom o assunto. Um desses diplomatas, próximo à Agência Internacional deEnergia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), disse que osinspetores estão concluindo a investigação sobre a atividadenuclear iraniana e manifestaram preocupação com eventuaisconsequências negativas de novas sanções internacionais aopaís. Diplomatas ocidentais disseram que o convite não erasignificativo e que não há por que aliviar a pressão sobreTeerã. Seis potências definiram na terça-feira em Berlim umaproposta de resolução da ONU com novas sanções, mas não tãointensas quanto os EUA desejavam. O Ocidente suspeita que o Irã possa usar sua tecnologianuclear para desenvolver armas. Teerã diz que seu objetivo éapenas gerar energia com fins pacíficos. A AIEA diz que o Irã se comprometeu neste mês a respondernum prazo de quatro semanas às dúvidas ainda existentes eentregou algumas informações sobre seus esforços paradesenvolver uma "nova geração" de centrífugas capazes derefinar urânio -- matéria-prima para usinas e armas nucleares-- com muito mais rapidez. Na quarta-feira, diplomatas familiarizados com o temadisseram à Reuters que o diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, e seu diretor de salvaguardas, Olli Heinonen,visitaram a instalação em Teerã onde está sendo desenvolvidauma centrífuga que substituiria o atual modelo usado pelo país,ultrapassado e sujeito a quebras. O Irã havia proibido em 2006 o acesso dos inspetores àmaioria das suas instalações nucleares, em retaliação àsmanobras das grandes potências ocidentais para adotar asprimeiras sanções contra o programa nuclear do país. No mesmoano, o governo iraniano anunciou ter centrífugas nucleares emfuncionamento. TEMOR DE SANÇÕES Esse diplomata, que a exemplo de outros pediu anonimato,disse que El Baradei vai detalhar sua visita e os resultados doinquérito num relatório previsto para 20 de fevereiro. Um dos diplomatas ouvidos disse haver o temor entre osinspetores de que eventuais novas sanções levem o Irã anovamente suspender a cooperação. "Certamente não será útil.Estamos numa encruzilhada muito delicada. Os radicaisiranianos, menos inclinados a cooperar com a AIEA, ficariamfortalecidos", disse o diplomata. "Houve um ótimo progresso neste mês. A AIEA está mesmo naúltima etapa, focando na questão mais delicada, os supostosesforços para obter armas e o envolvimento dos militares." Diplomatas ocidentais vinculados à AIEA disseram que avisita não representa avanços em termos de transparência porqueEl Baradei e Heinonen não são especialistas técnicos emcentrífugas. Um diplomata europeu disse que a visita à instalação depesquisa e desenvolvimento de centrífugas está "sendoapresentada como uma concessão, quando na verdade o Irã estáclaramente violando" as resoluções da ONU que exigem o fim doenriquecimento de urânio e o acesso irrestrito de inspetores daAIEA. "O Irã deveria ter apresentado as respostas no final dedezembro. Eles não apresentaram", disse um diplomata ocidental."O fato de que continuem a jogar este jogo de lançarinformações a conta-gotas só prova que não estão sendofrancos." (Tradução Redação São Paulo, 5511 56447745)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.