EXCLUSIVO-Irã vai atender à AIEA em etapas, dizem diplomatas

O Irã vai resolver em etapas, até o finaldo ano, suas pendências com a Agência Internacional de EnergiaAtômica (AIEA), mas isso não bastará para declarar que seuprograma nuclear é plenamente pacífico, disseram diplomatas nasexta-feira. Eles revelaram vários aspectos de um plano aceito nestasemana pelo Irã e pela AIEA, com os quais a República Islâmicapretende confirmar o caráter pacífico do seu programa e evitarnovas sanções. Pelo plano, os inspetores internacionaisvoltariam a ter acesso regular e efetivo às instalaçõessubterrâneas de enriquecimento de urânio do Irã. O plano deve ser apresentado na semana que vem aos 35países da direção da AIEA. Segundo diplomatas que tiveramacesso a ele, Teerã terá de provar primeiro as questões mais"fáceis", passando gradualmente às dúvidas mais complexas daAIEA e concluindo o processo em dezembro. Um diplomata disse que a AIEA havia sugerido uma ação maisampla e imediata por parte do Irã, para não esgotar a paciênciade potências ocidentais que desconfiam que Teerã estejadesenvolvendo armas nucleares. "Mas o Irã foi irredutível arespeito do sequenciamento, resolvendo as questões uma a uma",completou esse diplomata. "A preocupação é que eles marquem pontos politicamente nocomeço, resolvendo as coisas mais fáceis, para então seesquivar de esclarecer as questões mais delicadas, atribuindoisso a mais ações (de sanções) do Conselho de Segurança, oumesmo conversas sobre ações. A AIEA então talvez tenha de pedirmais tempo (às grandes potências)." Outros diplomatas ocidentais compartilham da impressão deque o interesse do Irã é manter o Conselho de Segurançaafastado enquanto continua a enriquecer urânio até aperfeiçoaressa tecnologia. A primeira leva de questões incluiu os experimentos do Irãcom plutônio, o elemento físsil mais comum em ogivas nucleares;o restabelecimento do acesso de inspetores ao reator deágua-pesada de Arak, sob construção; e um acordo com valorlegal regulamentando as inspeções no complexo de enriquecimentode Natanz. A segunda fase diria respeito aos esforços do Irã paraconstruir centrífugas P-2, capazes de refinar urânio com odobro ou triplo da velocidade da centrífuga P-1. O Irã obtevepeças de centrífugas no mercado negro que era mantido pelocientista nuclear paquistanês A.Q. Khan, segundo diplomatas. De acordo com eles, a terceira fase, em dezembro,envolveria as suspeitas sobre o difuso caráter militar doprograma. O Irã terá de explicar, por exemplo, a revelação dedocumentos descrevendo como transformar o metal de urânio emformatos "hemisféricos", adequados ao uso em bombas atômicas, ea existência de partículas de urânio adequado para uso em armasem equipamentos examinados por inspetores. Mas, contrariando o que pleiteava o Irã, a AIEA se recusa aemitir, ao fim do processo, uma declaração atestando o caráterpacífico do programa nuclear -- isso ficaria apenas para quandoo Irã autorizasse inspeções intrusivas em locais que não sãodeclarados nucleares sob o Protocolo Adicional ao Tratado deNão-Proliferação. O Irã deixou de cumprir o Protocolo em 2006,como protesto pelas sanções da ONU, o que prejudicou ainda maisas inspeções. Os EUA disseram que o plano tem "limitações reais" e queWashington vai continuar propondo sanções mais duras contraTeerã.

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