EXCLUSIVO-Projeto na UE ameaça afetar indústria do perfume

Fabricantes de perfumes estão pedindo à Comissão Europeia que reconsidere um projeto que, segundo as empresas, pode inviabilizar a produção de fragrâncias famosas por restringir o uso de ingredientes naturais associados a alergias.

ASTRID WENDLANDT, Reuters

31 de outubro de 2012 | 21h17

Marcas de luxo temem que a União Europeia as obrigue a alterar fórmulas célebres, como a do Chanel No 5, criada em 1921. Estima-se que o mercado de fragrâncias sofisticadas movimente 24,3 bilhões de dólares.

O projeto da Comissão Europeia também obrigaria à reformulação de perfumes como Miss Dior e muitas fragrâncias da Guerlain. A proposta se baseia em recomendações feitas em julho pelo Comitê Científico de Segurança do Consumidor, um órgão consultivo.

Os laboratórios dizem que as grandes marcas nunca mais teriam o mesmo aroma e que os perfumistas passariam a ter muito menos ingredientes à sua disposição para criar novos produtos.

"Seria o fim de lindos perfumes se não pudermos usar esses ingredientes", disse à Reuters, por telefone, a presidente não-executiva da Chanel, Françoise Montenay.

O comitê científico estima que 1 a 3 por cento dos habitantes da Europa sejam alérgicos ou potencialmente alérgicos a ingredientes encontrados nos perfumes, cifra que o grupo considera suficiente para justificar as preocupações.

"Todos os cidadãos têm direito às mesmas proteções", afirmou o presidente do grupo de trabalho do comitê, Ian White, do Instituto St. John's de Dermatologia, de Londres.

Os cientistas recomendaram que seja reduzida a concentração de 12 substâncias, incluindo o citral, encontrado nos óleos de limão e tangerina; a cumarina, achada na semente de cumaru; e o eugenol, presente no óleo de rosas. A concentração no produto final não poderia ultrapassar 0,01 por cento.

Além disso, a comissão propôs a proibição total de dois tipos de líquens que fornecem as notas de madeira em perfumes como o Chanel No 5 e o Miss Dior.

Segundo o presidente da Associação Internacional de Fragrâncias, Pierre Sivac, esses ingredientes são "a espinha dorsal de cerca de 90 por cento das fragrâncias finas".

A diretoria-geral de saúde e consumo da Comissão Europeia disse à Reuters que está discutindo com as partes envolvidas, inclusive os fabricantes de perfumes, para avaliar as recomendações do comitê científico e seu potencial impacto sobre o setor.

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