Execução de Saddam causa revolta entre muçulmanos

A Síria classificou como "penosa" a execução do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein e disse esperar que a mesma não cause a instabilidade do Iraque, informou a agência oficial de notícias síria "Sana"."A execução de Saddam no primeiro dia do Eid al-Adha (Festa doSacrifício) foi dolorosa, já que coincidiu com as orações do Eid e aperegrinação muçulmana a Meca, a cidade da segurança, da paz e dafraternidade", declarou o ministro da Informação sírio, MohsenBilal, que é citado pela "Sana".Bilal também condenou a divulgação das "horrorosas imagens" daexecução do ex-ditador, descrevendo o ato como "contraditório aosconceitos e às convenções internacionais".As declarações de Bilal são a primeira manifestação oficial síriaà execução do ex-presidente iraquiano. No último dia 11, Síria e Iraque reabriram suas respectivas embaixadas em Bagdá e em Damasco, após mais de duas décadas de relações cortadas entre os dois países.Execução merecidaSe no mundo muçulmano as imagens da execução do ex-ditador Saddam Hussein causaram revolta, o mesmo não pode ser dito de representantes de Israel: vários ministros do governo israelense comentaram neste domingo, na reunião semanal do gabinete, a execução de Saddam Hussein, e concordaram em afirmar que o ex-presidente iraquiano mereceu o destino que teve.O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, não quis mencionar o assunto na reunião. Entretanto, o vice-primeiro-ministro, Shimon Peres, que no sábado já havia lembrado as atrocidades cometidas por Saddam Hussein, afirmou que "existia uma obrigação histórica de acabar com sua ditadura" e que o ex-presidente iraquiano foi responsável por seu próprio destino."Foi um ditador responsável por três guerras, pelo assassinato de centenas de milhares de pessoas e pela morte de milhões", disse Peres.Ele acrescentou que o fim de Saddam Hussein era previsível "como o de Hitler", pois o ex-presidente do Iraque constituía "uma ameaça para o Oriente Médio e para o mundo".O ministro da Indústria e Comércio, Eli Yishai, afirmou que a execução era o fim previsível de Saddam.Yishai elogiou "a luta dos Estados Unidos no Iraque". "Nosso aliado está tentando conseguir que haja ordem no mundo", disse.Por sua vez, o chefe do Comissão Parlamentar de Assuntos Exteriores e de Defesa do Knesset (Parlamento), Tzachi Hanegbi, do partido Kadima, o mesmo de Olmert, opinou que a execução de Saddam Hussein "é uma mensagem para todos os tiranos do mundo, uma mensagem que será ouvida em Teerã".O vice-ministro da Defesa israelense, Ephraim Sneh, falou no sábado sobre as ameaças para a segurança da região após a execução. "Devemos nos preocupar com o que vai acontecer agora", disse. "O Iraque pode se transformar em um gerador de terror e levar o caos a toda a região", advertiu Sneh.Durante a Guerra do Golfo de 1991, após a invasão iraquiana do Kuwait, Saddam Hussein ordenou o lançamento de 40 mísseis balísticos Scud contra Israel, embora o país não participasse do conflito. Saddam Hussein chegou a apoiar financeiramente famílias de terroristas suicidas.Nos territórios palestinos, se multiplicaram as manifestações de luto pela morte de Saddam nas ruas e entre distintas facções, como o Hamas, no Governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP).O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, do Fatah, por outro lado, não fez até agora qualquer comentário sobre a execução.EquilíbrioO Conselho de Ulemás iraquianos afirmou neste domingo que a execução de Saddam Hussein foi motivada por "ódios pessoais" e pediu ao povo do Iraque que tenha paciência para preservar a união nacional, um dia após o cumprimento da pena imposta ao ex-presidente do país."Esta execução satisfaz os desejos do invasor americano e de seus aliados dentro e fora do Iraque, e não levou em conta os sentimentos do povo iraquiano, já que foi aplicada no primeiro dia da Festa do Sacrifício", destacou o Conselho de Ulemás, a mais importante instância sunita do Iraque."O enforcamento de Saddam aconteceu por causa de ódios pessoais que pretendem denegrir o povo iraquiano", acrescenta o comunicado. Além disso, a nota pede aos iraquianos que se contenham e prevê que no futuro haverá um "Governo iraquiano mais justo, capaz de condenar os que na atualidade matam os iraquianos e vendem a soberania de seu país".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.