Execução de Sakineh foi suspensa, diz agência iraniana

Informação teria sido dada pela presidente do comitê de direitos humanos do Parlamento iraniano em carta a Dilma Rousseff.

BBC Brasil, BBC

17 de janeiro de 2011 | 10h03

Governo permiitu a Sakineh encontrar filhos no início deste ano

A presidente do Comitê de Direitos Humanos do Parlamento iraniano, Zohreh Elahian, disse que o país suspendeu a pena de morte de Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada por suposto adultério e assassinato.

Segundo a agência oficial iraniana ILNA, a declaração estaria em uma carta endereçada à presidente Dilma Rousseff, em que Elahian informa que a pena de Sakineh foi comutada para prisão e chama de "propaganda" as críticas dos governos ocidentais ao sistema judicial iraniano.

De acordo com a agência, Sakineh teve sua pena comutada para dez anos de prisão depois de receber o perdão dos familiares da vítima.

A iraniana foi condenada ao apedrejamento em 2006 por supostamente trair e assassinar o marido. Grupos de direitos humanos afirmam que ela tem sido forçada a confessar a culpa.

Em meio à pressão da comunidade internacional, o destino de Sakineh tem sido incerto desde então. As autoridades iranianas teriam suspendido a sentença de apedrejamento, mas ela continuava condenada à morte.

No início deste ano, as autoridades iranianas permitiram que ela saísse da prisão para encontrar os filhos no norte do país.

Brasil

Desde a sua eleição, havia uma expectativa em relação à posição de Dilma Rousseff, primeira mulher eleita presidente do Brasil, sobre um assunto que o seu predecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi criticado por evitar.

Pressionado para usar seu prestígio junto ao governo iraniano em favor de Sakineh, Lula se limitou a enviar uma mensagem ao "amigo" Mahmoud Ahmadinejad oferecendo asilo à iraniana.

Dilma Rousseff, por outro lado, expressou claramente a sua solidariedade com o destino da condenada, afirmando que o apedrejamento seria "uma coisa bárbara".

O último episódio envolvendo o regime iraniano e o Brasil foi a censura, na semana passada, imposto a livros do escritor Paulo Coelho no Irã. A decisão teria sido tomada depois que o editor de Coelho no país apareceu em manifestações da oposição contra o regime de Ahmadinejad.

A ministra da Cultura, Ana Hollanda, criticou a decisão e pediu que o Itamaraty se posicione contra o Irã no episódio.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse que "faz suas" as palavras da ministra da Cultura, mas disse também que esperará "mais elementos" para definir exatamente que medidas tomar.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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