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Executados no Japão guru e outros seis membros de seita do gás sarin

Shoko Asahara, de 63 anos, foi enforcado pelo atentado que matou 13 pessoas e feriu outras 6.300

O Estado de S.Paulo

05 Julho 2018 | 23h52

TOQUIO - O guru Shoko Asahara e outros seis membros da seita Aum condenados à morte por sua responsabilidade no ataque com gás sarin contra o metrô de Tóquio em março de 1995 foram executados na manhã desta sexta-feira, informou a imprensa japonesa.

Um porta-voz do governo confirmou o enforcamento de Asahara, mas não deu qualquer informação sobre os demais condenados à morte.

O ministro da Justiça concederá uma entrevista coletiva ainda nesta sexta-feira. 

Shoko Asahara - cujo verdadeiro nome era Chizuo Matsumoto - estava há anos no corredor da morte com outros doze cúmplices envolvidos no atentado com gás sarin que matou 13 pessoas e causou lesões, algumas irreversíveis, em outras 6.300.

Outros 190 membros da seita foram condenados a penas de prisão pelo atentado, o pior já ocorrido no Japão. 

Em 20 de março de 1995, executando um plano bem montado, vários membros da seita Aum Verdade Suprema, criada por Asahara, espalharam o gás sarin pelos vagões do metrô da capital. 

O sarin foi colocado em bolsas plásticas em cinco composições do metrô de Tóquio, que após serem furadas pelas pontas dos guarda-chuvas deixaram escapar o gás. 

Em um primeiro momento, ninguém entendeu o que estava acontecendo naquela manhã, em plena hora do rush, quando vários passageiros começaram a sufocar, sem ver nada, em várias estações das linhas atacadas. 

Algum tempo antes, no que parece ter sido um ensaio do ataque em Tóquio, sete pessoas morreram na cidade de Matsumoto, no centro do país, onde outras 600 sofreram diversas lesões, algumas definitivas. 

A seita conseguiu fabricar importantes quantidades do gás sarin em um laboratório, reproduzindo um  produto mortal criado pelos cientistas do regime nazista na Alemanha no final dos anos 1930.

Em dezembro de 1999, a seita Aum admitiu, pela primeira vez, sua responsabilidade nos ataques contra Tóquio e Matsumoto, e pediu desculpas. 

A primeira pena de morte pelo ataque foi emitida em 1999.

Antes do atentado, que chocou o país, o Japão assistiu ao crescimento da Aum entre os anos 1980 e 1990, entre espanto e angústia. 

O guru Asahara participava de programas de televisão e fez estragos durante as campanhas eleitorais, conseguindo atrair a atenção dos cidadãos japoneses, incluindo jovens cientistas de alto nível, médicos e advogados.

"Demorou 23 anos após o atentado para que fossem executados. Lamentavelmente, os pais do meu marido, que morreu no ataque, faleceram antes", declarou à TV estatal NHK Shizue Takahashi, mulher de um funcionário do metrô e presidente de uma associação de vítimas. / AFP

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