Exercício militar acompanha diplomacia

Marinha dos EUA envia 3 gigantescos porta-aviões nucleares para manobras enquanto Donald Trump estiver na Ásia

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2017 | 05h00

Nos próximos dias, talvez em uma semana, uma conjunção de poder de fogo que o mundo não vê há cerca de 20 anos se formará no Oceano Pacífico, nas cercanias da Península Coreana. Ali, em coordenadas exatas mantidas em segredo, três grupos de ataque da Marinha dos EUA, liderados por três gigantescos porta-aviões nucleares de 100 mil toneladas, estarão operando em conjunto, enquanto Donald Trump visita países da região - Japão, Coreia do Sul, China, Vietnã e Filipinas.

+ Xi recebe Trump e tenta ocupar vácuo deixado por novo governo dos EUA

As embarcações vão adicionar de uma só vez ao cenário tenso centenas de caças pesados, drones, helicópteros, aeronaves de reconhecimento e sobretudo armas avançadas - bombas guiadas, mísseis inteligentes, mísseis antimísseis, grandes torpedos de 3,6 toneladas.

O movimento faz parte da escalada americana de pressão sobre o regime norte-coreano de Pyongyang. Os serviços de inteligência ocidentais acreditam que o ditador Kim Jong-un esteja preparando um novo teste de sua capacidade estratégica. Um ensaio duplo, abrangendo a detonação de uma carga nuclear e o lançamento de um foguete balístico de longo alcance, provavelmente na direção de Guam, a 3.400 km, sede de uma vasta base da aviação dos EUA.

A movimentação começou há uma semana, depois de o general David Goldfein, chefe do Estado-Maior da Força Aérea, anunciar que os bombardeiros B-52 vão voltar ao regime RTF (pronto para voar, na sigla em inglês) de plantão de 24 horas. Esse era o padrão durante os anos da Guerra Fria. Os B-52 podem carregar 31 toneladas de cargas de combate - incluindo bombas atômicas.

A rigor, o porta-aviões Nimitz, o mais antigo do trio, comissionado em 1975, está na área depois de um longo período de quase três meses em atividade no Oriente Médio, realizando 1.322 missões contra posições do Estado Islâmico na Síria e no Iraque. O Nimitz, de 100 mil toneladas e 333 metros de comprimento - três campos de futebol -, leva até 90 aeronaves e 5.680 tripulantes.

Gastos militares

O grupo de ataque liderado pelo navio vai atuar nas águas onde já estão outras duas flotilhas de igual porte - as do USS Theodore Roosevelt e do USS Ronald Reagan. Há 42 anos, o orçamento final da construção do Nimitz apontava para estratosféricos US$ 8,5 bilhões.

O custo do mais novo do trio, o Gerald Ford, recebido só há cinco meses, bateu na faixa dos US$ 15 bilhões. Ao longo do tempo, os navios foram adotando inovações tecnológicas. Tudo isso passou a ser assunto sigiloso. A tal ponto que mesmo a velocidade máxima real é agora uma informação reservada - é provável que o Ford faça perto de 60 km/hora, 18 km/h a mais que o Nimitz.

A flotilha é integrada por dois cruzadores de 9.200 toneladas, ambos lançadores dos mísseis de cruzeiro Tomahawk, de alta precisão, 450 kg de explosivos, alcance entre 1,3 mil km e 2,2 mil km. Com eles, navegam dois destróieres, equipados com o sofisticado sistema de radar Aegis.

São essas as unidades que disparam os mísseis interceptadores - de aviões e de outros mísseis. Sob a superfície, em silêncio, e com a prioridade de defender os porta-aviões americanos, circula um submarino, armado com torpedos, Tomahawks de emprego geral e Harpoons, especializados na destruição de navios.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.