Exercícios militares entre EUA e Coreia do Sul irritam a China

Pequim alerta que manobras podem abrir crise e provocar Coreia do Norte

Agência Estado

19 de agosto de 2010 | 15h17

 

WASHINGTON - Os planos dos EUA e da Coreia do Sul de conduzirem exercícios militares no Mar Amarelo recebem forte oposição da China. O episódio aumenta as tensões entre Pequim e Washington, já afetadas por outras questões de segurança regional. Funcionários chineses advertem que os exercícios ameaçam abrir uma crise perto do território chinês, ao provocar a Coreia do Norte, além de poder inflamar a opinião pública na China.

 

"Há um risco real que as coisas saiam do controle - e isso seria uma ameaça real para a segurança nacional da China", afirmou um alto funcionário. "O próprio fato de você ter uma presença militar tão forte no Mar Amarelo neste momento particular dificilmente pode ser interpretado como um gesto amigável pelo público chinês", disse. "Isso é realmente um sinal político que os Estados Unidos estão enviando ao público chinês, então eu acho que um alto grau de moderação é muito necessário."

 

Nos últimos meses, os dois países têm divergido sobre as vendas de armas dos EUA para Taiwan, bem como pela alegação de Pequim de que controla o Mar do Sul da China. O Pentágono afirmou na quarta-feira que os EUA e a Coreia do Sul conduziriam novos exercícios militares no mês que vem para reforçar suas defesas contra possíveis ataques de submarinos norte-coreanos, esta vez em águas na costa oeste, na península coreana próxima à China.

 

As tensões em torno dos exercícios no Mar Amarelo refletem a crescente competição estratégica entre os EUA e a China. Cada vez mais, o gigante asiático busca contestar a interferência de Washington perto de seu território. Pequim pressiona os EUA para que permita à Marinha chinesa que navegue sem qualquer impedimento nas rotas marítimas na região. Em um exercício de quatro dias no mês passado, navios norte-americanos ficaram posicionados ao leste da Península Coreana, longe da costa chinesa.

 

Momento errado

 

Os próximos exercícios estão ainda sendo planejados, afirmou um porta-voz do Pentágono. "Esses exercícios buscam impedir a Coreia do Norte de realizar futuros ataques desestabilizadores, bem como o ocorrido com o Cheonan", afirmou o porta-voz, referindo-se ao navio de combate sul-coreano que, segundo Seul, foi abatido por um submarino norte-coreano em março. Morreram no naufrágio 46 marinheiros. "A China não tem motivo para ver este exercício, ou esta série de exercícios, como uma ameaça à sua segurança", disse.

 

Navios dos EUA já operaram anteriormente no Mar Amarelo, mas o funcionário chinês afirmou que os exercícios estão no momento errado, pois os laços militares entre as nações estão estremecidos. Os EUA têm tropas na Coreia do Sul desde a Guerra da Coreia, nos anos 1950. Os dois países costumam realizar exercícios militares conjuntos duas vezes ao ano. Em 2010, decidiram realizar vários exercícios navais após o naufrágio do Cheonan.

 

O funcionário chinês, em entrevista ao Wall Street Journal, disse que a China está cada vez mais frustrada com a atuação dos EUA, pois Pequim acredita que seu interesse nacional está em jogo no Mar do Sul da China, assim como o dos EUA está no Golfo do México. "Esta lógica é difícil de explicar para outros países", argumentou. Apesar dos problemas, a fonte demonstrou otimismo com as relações bilaterais. As informações são da Dow Jones.

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