Exercícios militares entre EUA e Coreia do Sul preocupam a China

Pequim evita responsabilizar apenas os norte-coreanos por incidentes na península

Reuters

25 de novembro de 2010 | 09h40

PEQUIM - A China manifestou nesta quinta-feira, 25, preocupação com os exercícios militares conjuntos programados por EUA e Coreia do Sul na região dos limites marítimos da Península Coreana. Um porta-voz da chancelaria chinesa recusou-se a culpar exclusivamente a Coreia do Norte pelo incidente bélico desta semana na região.

 

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A chancelaria sul-coreana disse anteriormente que os exercícios militares conjuntos deste mês com os EUA têm o objetivo de enviar uma mensagem clara à Coreia do Norte, que nesta semana bombardeou uma ilha sul-coreana, matando quatro pessoas e desencadeando um confronto entre os dois países.

"Notamos os relatos relevantes e expressamos nossa preocupação a respeito", disse Hong Lei, porta-voz da Chancelaria chinesa, a jornalistas. Em suas respostas, ele não fez críticas diretas ao exercício EUA-Coreia do Sul, mas insistiu na "preocupação" do governo chinês a respeito deles.

Meses atrás, a China já havia manifestado preocupação com atividades navais norte-americanas e sul-coreanas, alertando que elas poderiam afetar a segurança e a estabilidade regionais. Seul e Washington garantiram que seu objetivo era mandar um alerta à Coreia do Norte.

As atividades navais dos EUA na região são apenas um dos fatores que causam atritos com a China. Política cambial, venda de armas norte-americanas a Taiwan, repressão no Tibete e controle da internet são outros assuntos que marcam as relações bilaterais.

Hong disse que a China - única aliada relevante da Coreia do Norte no mundo - está em contato com os EUA para discutir as tensões na península da Coreia.

Questionado sobre a responsabilidade pelo incidente, Hong afirmou "que há diferentes visões sobre a causa do incidente." Ele evitou fazer críticas só à Coreia do Norte.

A China já havia adotado uma posição semelhante em março, quando evitou culpar o regime norte-coreano pelo naufrágio de uma corveta sul-coreana, que causou 46 mortes. EUA e Coreia do Sul disseram que a Coreia do Norte torpedeou o navio.

Da mesma forma, muitos países condenaram a Coreia do Norte pelo incidente de terça-feira, mas a reação inicial de Pequim foi de pedir moderação aos envolvidos.

Hong disse que é "urgentemente" necessário retomar o diálogo multilateral destinado a promover o desarmamento nuclear da Coreia do Norte. Esse processo está paralisado há quase dois anos. Ele disse também que todos os envolvidos no atual clima de tensão devem "se empenhar mais para acalmar" a situação.

 

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O chanceler chinês, Yang Jiechi, adiou uma visita que faria a Seul nesta semana. Segundo Hong, isso ocorreu por problemas de agenda.

 

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