Exército abre fogo em Mianmá

Pelo menos 2 monges morreram e 100 ficaram feridos em passeata; condenação na ONU esbarra na oposição chinesa

REUTERS, O Estadao de S.Paulo

27 de setembro de 2007 | 00h00

Rangum - Confrontos entre tropas do Exército e manifestantes deixaram ontem um civil e dois monges mortos, além de 100 feridos, em Rangum, maior cidade de Mianmá (ex-Birmânia). Os protestos reuniram 100 mil pessoas em todo o país asiático, desafiando o toque de recolher decretado na terça-feira. Assista a vídeo com imagens das manifestaçõesO governo, que havia alertado que não toleraria mais as passeatas, deu sinal verde para o Exército, que ontem atirou contra a multidão, usou cassetetes e gás lacrimogêneo e deteve mais de 200 monges. Horas depois, já na madrugada de hoje, as forças do regime invadiram dois mosteiros de Rangum e prenderam outros 200 monges, segundo testemunhas. Os protestos começaram em agosto em razão de um aumento dos combustíveis. A alta afetou os preços do transporte coletivo e dos gêneros de primeira necessidade, como arroz e óleo de cozinha. Insatisfeita, a população foi às ruas. Nas primeiras semanas, o Exército limitou-se a prender os líderes do movimento e pareceu controlar a situação. Mas, no dia 5, soldados reprimiram uma marcha pacífica em Pakokku, ferindo três monges. Os religiosos exigiram desculpas. Os militares não se desculparam. Revoltados, os monges juntaram-se aos protestos. Na segunda-feira, escritores, atores, poetas, músicos e jornalistas locais aderiram às passeatas. De acordo com analistas, a imobilidade dos generais teria o dedo da China, país que mais investe e protege a ditadura. Às vésperas dos Jogos Olímpicos de 2008, os chineses estariam evitando um banho de sangue pelo qual seriam responsabilizados.Outra razão para a hesitação dos militares está no significado dos monges. Nove em cada dez birmaneses são budistas. Desde os tempos da monarquia, os principais líderes do país, incluindo os generais, construíram templos para demonstrar sua fé e legitimar seu governo. Ontem, os tiros contra a multidão foram um sinal de que a paciência da junta chegou ao fim.ENVIADOO Conselho de Segurança da ONU se reuniu ontem, em caráter de emergência, para discutir a crise em Mianmá. Todas as tentativas de aprovar uma resolução condenando o regime, no entanto, fracassaram por causa da oposição chinesa. Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, e a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, exigiram que o governo birmanês desse autorização para a entrada de um enviado da ONU no país, permissão que até o final da noite de ontem não havia sido concedida.

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