Exército burquinense fala em transição com participação de todos

Novo chefe de Estado prometeu envolver todas as forças nacionais após assumir o poder com a renúncia do presidente Compaoré

O Estado de S. Paulo

03 de novembro de 2014 | 12h30

OUAGADOGOU - O novo chefe de Estado de Burkina Fasso, o tenente-coronel Isaac Zida, prometeu realizar uma transição no país com a participação de todas as forças nacionais, depois de a oposição política, a sociedade civil e organizações internacionais reivindicarem uma transição guiada por um líder civil.

"Todo mundo tem o desafio de contribuir para a construção de nosso país no processo de transição e podem estar seguros que ninguém será rejeitado", disse Zida, proclamado novo líder do páis no sábado pelo Exército, em comunicado divulgado na noite de domingo.

Zida explicou que "após as eleições, o Exército se retirará e dará espaço para uma etapa que nos permita sair desta difícil situação atual". Nas palavras do novo líder, que foi o número dois da guarda de Blaise Compaoré - presidente que renunciou após protestos -, "o poder não nos interessa, unicamente os interesses da nação, por isso o órgão de transição se estabelecerá por consenso."

"As Forças Armadas nacionais nunca quiseram interferir nas atividades políticas, e se hoje têm a liderança nessa etapa de transição é porque todas as forças da nação pediram que assumíssemos suas responsabilidades diante do caos que podia se estabelecer em nosso país", acrescentou Zida.

A oposição política e organizações da sociedade civil de Burkina Fasso realizaram domingo uma manifestação na capital, Ouagadogou, para exigir que o Exército não roube a transição aberta após a renúncia de Compaoré, que presidia o país há 27 anos.

Os soldados enviaram veículos militares para a cidade e combateram os protestos na Praça da Nação, epicentro das manifestações maciças que culminaram com o exílio de Compaoré na sexta-feira e a ascensão dos militares ao poder.

Uma pessoa morreu durante a tentativa de dispersão dos partidários da oposição, originada nas instalações da televisão estatal de Burkina Fasso. Zida garantiu que "qualquer ato que possa atrapalhar o processo de transição será reprimido com força e firmeza".

O golpe de comando do Exército foi visto com receio pela comunidade internacional desde as primeiras horas, o que foi manifestado abertamente pela missão conjunta das Nações Unidas, a União Africana (UA) e a Comissão da Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental (Cedeao), deslocada para Burkina Fasso. /EFE

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