Exército chileno não quis cinzas de Pinochet, diz jornal

As cinzas do ex-ditador chileno Augusto Pinochet - morto no dia 10 de dezembro - foram rejeitadas pelo alto comando do Exército do Chile, que não aceitou que os restos mortais do general, que governou o país com mão de ferro entre 1973 e 1990, ficassem sob sua custódia. A informação, publicada pelo jornal chileno La Nación, indica que a viúva de Pinochet, Lucía Hiriart, havia proposto aos militares que as cinzas de seu marido ficassem no edifício da Escola MilitarA negativa a Lucía Hiriart foi pronunciada pelo chefe do Exército, o general Oscar Izurieta. Os analistas políticos chilenos consideram que Izurieta, ao longo dos últimos anos, tentou desvencilhar-se do passado "pinochetista" do Exército e que intensificará mais ainda essa postura nos próximos tempos, já que pretende mostrar as Forças Armadas como uma instituição "profissional", que não se intromete na política chilena.Durante o funeral do ex-ditador, realizado na própria Escola Militar, Izurieta teve um comportamento sóbrio, e seguiu as ordens da presidente Michelle Bachelet de não conceder a Pinochet honrarias de chefe de Estado, já que não havia exercido o poder de forma constitucional.Sem poder deixar as cinzas na Escola Militar (nem o governo nem os militares pretendiam que o lugar se transformasse em ponto de romaria de pinochetistas), a família Pinochet teve que se resignar a levar os restos mortais do ex-ditador à chácara que possui em Los Boldos, no litoral chileno.No entanto, o Exército continuará prestando assistência de caráter "administrativo" à viúva de Pinochet, o que inclui um mordomo e um chofer, além da segurança de sua residência.Nos próximos meses, Lucía Hiriart poderia ter que abandonar a tranqüilidade de sua chácara para responder perante os tribunais em Santiago pelo desvio de fundos públicos. Tanto seu falecido marido, como ela e alguns de seus filhos estão sendo processados há meses por enriquecimento ilícito e a posse de contas secretas no exterior.

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