Youssef Boudlal/Reuters
Youssef Boudlal/Reuters

Exército da Síria anuncia recaptura do centro de Alepo

Comandante das operações militares dos insurgentes afirma que houve uma retirada estratégica dos rebeldes

AE, Agência Estado

23 de agosto de 2012 | 19h09

DAMASCO - O Exército da Síria recapturou nesta quinta-feira, 23, três bairros cristãos no centro histórico de Alepo, maior cidade do país, mas os combates continuam em outros bairros, informaram os moradores, de acordo com a agência France Presse (AFP). A agência estatal de notícias da Síria, a SANA, disse que os bairros foram "limpos" de terroristas e a vida "voltou à normalidade".

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"As autoridades de Alepo e a população local reportaram a volta à vida normal nos bairros de Jdeide e Tilal, após os distritos serem desinfetados de terroristas". Segundo grupos da oposição síria, pelo menos 67 pessoas foram mortas nesta quinta ao redor do país, em grande parte nos subúrbios da capital Damasco.

Em uma entrevista à emissora de televisão Al Jazeera, do Catar, o comandante das operações militares dos insurgentes sírios, Abdel Qader Saleh, deu uma outra versão para os fatos. Segundo ele, houve uma retirada estratégica dos rebeldes do centro de Alepo, para evitar a destruição dos bairros cristãos, informou a agência Ansa da Itália.

"Nós estamos aqui para derrubar o regime criminoso através da libertação de Alepo. Nosso papel é proteger todos os cidadãos, incluídos os não muçulmanos", disse Saleh. Ele afirma que comanda oito mil combatentes. Nos últimos dias, o Exército Sírio Livre afirmava controlar 70% da área urbana de Alepo. A Al Jazeera apoia os insurgentes sírios.

Moradores de Alepo contam que ocorreram pesados combates nos últimos dois dias entre as tropas do governo e os insurgentes. "Tivemos os dois piores dias das nossas vidas. Se nossa casa não tivesse sido construída como uma fortaleza, estaríamos mortos. O pórtico da casa foi muito danificado", disse Sonia, uma moradora cristã de Alepo.

"As batalhas na segunda-feira e terça-feira foram selvagens. Elas duraram horas antes do exército conseguir expulsar os rebeldes", disse um morador do bairro de Sulamaniyeh, no centro de Alepo, e habitado por cristãos armênios. O grupo opositor sírio Comitês de Coordenação Local afirma que 90 pessoas foram mortas hoje ao redor do país, pelo menos dez em Alepo. Já a organização Shaam.org afirma que 38 pessoas foram mortas em Damasco e nos subúrbios da capital síria.

Entre as vítimas estão duas mulheres e quatro crianças. Outros dez cadáveres foram encontrados em Kfar Sousse, perto da capital. Os corpos tinham sinais evidentes de torturas, alguns estavam nus e aparentemente foram atingidos por disparos na cabeça.

Em Deir El-Zour, no leste do país, outras seis pessoas foram mortas por bombardeios do governo. Outras cinco pessoas foram mortas na província de Hama, em Hawash, na planície do rio Orontes.

Com AP, Dow Jones e Ansa

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