Youssef Boudlal/Reuters
Youssef Boudlal/Reuters

Exército da Síria destrói casas em 'punição coletiva'

Escavadeiras do regime Assad destruíram edifícios e avião de guerra bombardeou cidade controlada por rebeldes

Reuters,

03 de setembro de 2012 | 16h10

AMÃ - Escavadeiras do Exército sírio destruíram casas no oeste de Damasco nesta segunda-feira, 3, seguindo o que os ativistas chamaram de punição coletiva de áreas muçulmanas sunitas, hostis ao presidente Bashar Assad. No norte da Síria, 18 corpos foram encontrados nos escombros de uma casa bombardeada por um avião de guerra na cidade controlada pelos rebeldes de Al-Bab e outros 13 estão desaparecidos, informou um grupo de vigilância da oposição.

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Escavadeiras auxiliadas por tropas de combate demoliram edifícios no pobre distrito de Tawahin, perto da estrada Damasco-Beirute, contaram ativistas e moradores. "Eles começaram há três horas. As escavadeiras estão derrubando lojas e casas. Os moradores estão nas ruas", disse uma mulher que mora em um prédio alto com vista para a área.

Autoridades sírias restringiram o acesso da mídia independente, o que torna difícil a verificação dos relatos de conflito de ambos os lados. Soldados forçaram moradores a apagar grafites anti-Assad e escrever slogans exaltando o presidente, disseram ativistas.

"Este é um ato não provocado de punição coletiva. Os rebeldes tinham saído, já não há nem mesmo manifestações na área", afirmou al-Shami Mouaz, ativista que reunia gravações em vídeo das demolições. "O regime não consegue parar de repetir a brutalidade da década de 1980", disse ele, aludindo aos assassinatos em massa e à destruição total na cidade de Hama, em 1982, sob o domínio do pai de Assad, o falecido Hafez Assad, que governou a Síria por 30 anos.

A família Assad e a maioria dos membros da elite dominante pertencem à seita minoritária Alauíta, uma ramificação do islamismo xiita.

Ativistas relataram também a demolição ou a queima de pelo menos 200 casas e lojas na parte antiga da cidade de Deraa nos últimos dias. Bombardeios do Exército tinham em grande parte esvaziado a área, levando 40 mil pessoas a fugir para a Jordânia.

A mais recente onda de demolições segue a destruição de dezenas de edifícios em uma área próxima a Tawahin, em Damasco, no domingo, e no distrito sunita de Qaboun, no mês passado. O Exército, que parece ter recuperado o controle de Damasco após uma ofensiva insurgente que começou em julho, atacou distritos periféricos do sul e leste durante a noite para tentar expulsar os rebeldes que ainda operam lá, disseram grupos de oposição.

Pelo menos duas pessoas foram mortas no bairro de Qadam, ao sul, acrescentaram. Mais de 20.000 pessoas foram mortas na Síria desde que os protestos inicialmente pacíficos contra Assad eclodiram em março de 2011.

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