Exército da Síria enfrenta desertores e violência não dá sinais de trégua

Mais de 110 pessoas morreram em Homs na última semana apesar de acordo com a Liga Árabe

Associated Press

07 de novembro de 2011 | 16h47

BEIRUTE - Forças de segurança da Síria entraram em confronto nesta segunda-feira, 7, com grupos de desertores na cidade de Homs. De acordo com ativistas, os soldados invadiram casas em busca dos opositores do regime do presidente Bashar Assad no bairro de Baba Amr, onde se concentra a resistência à repressão de Damasco aos protestos pró-democracia.

 

Veja também:

especialInfográfico: A revolta que abalou o Oriente Médio

 

Na última semana, mais de 110 pessoas foram mortas em Homs, cidade de cerca de 800 mil habitantes que se tornou o maior foco de protestos contra o regime de Assad, afirmou Ibrahim Hozan, porta-voz dos Comitês de Coordenação Local. Um grupo de oposição declarou o local como "área de desastre" e apelou por uma intervenção internacional.

 

De acordo com ativistas, somente nas últimas 24 horas ao menos 18 pessoas morreram na cidade. Os relatos surgem dias depois de a Síria aceitar uma proposta da Liga Árabe para acabar com a violência no país, algo que parece não ter tido efeito sobre a repressão. Damasco proíbe a presença de jornalistas em seu território e por isso não é possível verificar os números fornecidos.

 

A violência dos últimos dias aparentemente envolveu membros das Forças Armadas que desertaram e se aliaram aos opositores para proteger os civis da brutalidade do governo. "Há uma grande onda de prisões ocorrendo nos piores bairros", disse um ativista em condição de anonimato. Homs está sob um cerco estrito do Exército há cinco dias.

 

De acordo com o Conselho Nacional Sírio, a ONG que chamou Homs e "área de desastre", o cerco imposto pelo militares impede a chegada de alimentos e suprimentos médicos e também evita que moradores deixem os bairros violentos em busca de áreas mais seguras.

 

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) mais de 3 mil pessoas já morreram na repressão. Damasco, por sua vez, afirma que mais de mil agentes foram mortos e culpa "grupos armados e terroristas" pelos protestos e pela violência. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.