EFE/ Miguel Gutierrez
EFE/ Miguel Gutierrez

Exército da Venezuela prende 26 policiais acusados de motim militar em Caracas

Em nota, o Ministro da Defesa, Vladimir Padrino, prometeu aplicar 'todo peso da lei' aos rebeldes

Redação, O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2019 | 12h06
Atualizado 21 Janeiro 2019 | 20h41

CARACAS - Um grupo de 27 militares de baixa patente da Guarda Nacional Bolivariana foi preso nesta segunda-feira, 21, pelo chavismo após roubar armas, dois blindados e gravar vídeos estimulando a população a derrubar o presidente Nicolás Maduro. A ação começou na base de Macarao, oeste de Caracas, onde os rebeldes renderam um capitão e outros três soldados. 

Os insurgentes usaram os dois veículos para apreender mais armas e terminaram detidos no bairro de Cotiza, após confronto. Os rebeldes deixaram o quartel algemados e foram transferidos para uma prisão militar. 

Nas redes sociais, tornaram-se virais os vídeos dos militares com pedidos para que a população se juntasse ao protesto. Em Cotiza, moradores do bairro bateram panelas, queimaram pneus e atiraram pedras nos policiais. A GNB usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os protestos. 


A sublevação ocorreu dias depois de a oposição convocar militares e servidores a romper com o governo em troca de anistia. Em reuniões públicas nos últimos dias, opositores também exortaram os soldados, principalmente os de baixa patente, mais afetados pela crise, a abandonar o chavismo. O presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, disse que uma das manifestações contra Maduro, amanhã em várias cidades da Venezuela, sairá de Cotiza.

 

"Precisamos defender nossa pátria", disse a manicure María Fernanda Rodríguez, uma das manifestantes. 

Por meio de sua conta no Twitter, o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, disse que o episódio é um reflexo do descontentamento nas Forças Armadas. "Nossos militares sabem que a cadeia de comando foi rompida", afirmou. 

A Assembleia Nacional Venezuela ofereceu na semana passada anistia a militares que romperem com o governo. Em reuniões públicas nos últimos dias, opositores também exortaram os soldados, principalmente os de baixa patente, mais afetados pela crise, a abandonar o chavismo.

O governo reagiu. Enquanto o Ministério da Defesa prometeu reprimir os rebeldes, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), leal ao chavismo, ameaçou com retaliações judiciais o comando da Assembleia Nacional, controlada pela oposição, mas sem competências legislativas desde 2016. 

“As Forças Armadas rechaçam categoricamente esse tipo de ação, que com toda certeza foi motivada por interesses obscuros da extrema direita e são contrários às normas elementares da disciplina e da hierarquia militar”, disse, em nota, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino. 

O líder do grupo sublevado, identificado como sargento Armando Figueroa, prometeu tomar as ruas para defender a Constituição. “Queriam acender o rastilho. Aqui estamos. Precisamos do seu apoio”, disse. 

Para a presidente da ONG Control Ciudadano, focada em assuntos militares, Rocío San Miguel, a causa mais provável para a sublevação é um descontentamento entre a baixa patente de alguns destacamentos da GNB, que não encontrou apoio em outras unidades. “As unidades sublevadas já tinham sido palco de episódios anteriores”, lembrou a analista. 

Ainda de acordo com ela, a oferta de Guaidó abriu canais inéditos entre a oposição e os militares em virtude, principalmente, da retórica menos agressiva do deputado e de suas raízes familiares – seu avô foi militar. Outro sinal de que o compromisso dos militares com o chavismo já não é o mesmo, diz Rocío, é que o anúncio das prisões foi feito pelo chavista Diosdado Cabello. Os militares soltaram apenas uma nota.

Apesar da pretensão de se mostrar monolítica, há relatos de que ao menos dois generais foram presos no ano passado, quando um drone tentou levar explosivos em um ato do qual Maduro participava. O Washington Post noticiou, no começo do ano, que, nos últimos meses, Padrino chegou a pressionar para que Maduro renunciasse. Apenas em 2018, de acordo com levantamento da Control Ciudadano, 180 oficiais foram presos e 4,3 mil desertaram. / REUTERS, AP e AFP

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