Osman Orsal/Reuters
Osman Orsal/Reuters

Exército de Assad ataca desertores na Síria

Forças do ditador tomam o controle de Jisr al-Shughour, após ampla ofensiva

Reuters, AP e Nyt, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2011 | 00h00

Helicópteros e blindados comandados por militares leais ao presidente sírio, Bashar Assad, atacaram ontem a cidade de Jisr al-Shughour, onde, segundo o regime, 120 agentes de segurança do governo foram mortos por "gangues armadas" na semana passada. A TV oficial relatou que as tropas do Exército tomaram o controle da cidade após "pesados confrontos" com os opositores que exigem a renúncia de Assad, no poder há quase 11 anos.

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) afirmou ontem que mais de 5 mil sírios já fugiram em direção à Turquia desde o início da violenta repressão do governo às manifestações pela retirada de Assad. Mas se estima que esse número possa ser muito maior. Testemunhas afirmam que cerca de 10 mil pessoas estão abrigadas próximo à fronteira turca. O Crescente Vermelho informou que está preparando seu quarto acampamento em solo turco, com capacidade para 2,5 mil refugiados.

Segundo o governo sírio, dois insurgentes morreram na ofensiva de ontem em Jisr al-Shughour. Mas, de acordo com testemunhas, o Exército encontrou a cidade praticamente vazia, pois a grande maioria dos cerca de 50 mil habitantes locais já tinha fugido antes do ataque. A fronteira turca fica a 20 km da cidade. Damasco está proibindo a atuação de correspondentes internacionais no país, o que dificulta a confirmação das notícias.

Um habitante de Jisr al-Shughour, que conseguiu fugir da cidade ontem, contou à Associated Press que o Exército bombardeou a cidade. Pouco depois, tanques e veículos de artilharia invadiram o local a partir de duas posições. Segundo o relato, cerca de 60 militares desertores atacaram os blindados. Segundo a testemunha, outros 200 insurgentes desarmados guardavam a cidade e devem ter sido mortos ou presos na incursão.

Estima-se que mais de 1,3 mil pessoas foram mortas desde o início da repressão síria. Os EUA acusam Damasco de criar uma "crise humana" e pedem o fim da ofensiva de Assad.

O ativista pelos direitos humanos Mustafa Osso disse que as tropas que combateram ontem integram a 4.ª Divisão do Exército, batalhão de elite comandado por Maher Assad, irmão caçula do presidente. Segundo Osso, a divisão tem lutado contra centenas de desertores na região, que tem um histórico de resistência contra o regime. Para analistas, as tropas de Maher serão decisivas na definição do conflito.

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