Exército de Israel adia ofensiva a Gaza

O exército israelense postergou seus planos para uma invasão por terra no norte da Faixa de Gaza, dando uma nova chance para que a crise gerada pelo seqüestro de um soldado israelense por militantes palestinos seja resolvida pela via diplomática. A entrada das forças israelenses em Beit Hanun e Beit Lahia estava programada para a noite desta quinta-feira, mas as Forças Armadas suspenderam a ação temporariamente obedecendo ordens do comando político.O cancelamento ocorreu aparentemente na reunião que o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, teve esta tarde com o ministro da Defesa, Amir Peretz, e com os chefes do Exército.De qualquer forma, aeronaves israelenses e fogo de artilharia atingiram vários pontos de Gaza, destruindo fábricas suspeitas de produzir armamentos, uma central de distribuição de energia e campos de treinamento de militantes.Após as tentativas frustradas de egípcios, jordanianos e franceses para resolver o impasse sobre o destino do soldado Gilad Shalit, seqüestrado por grupos ligados ao Hamas no domingo, Israel afirmou ter perdido a paciência com o caminho diplomático e enviou milhares de soldados para áreas inabitadas no sul da Faixa de Gaza.No norte, no entanto, os militantes palestinos preparavam-se para tentar frear o avanço israelense, o que pode desencadear sangrentos combates. Na madrugada de quinta-feira, tanques e blindados de Israel foram visto realizando manobras perto da fronteira. Diante da possibilidade de um derramamento de sangue e atendendo um novo apelo do governo egípcio para que a via democrática fosse tentada novamente, Israel decidiu postergar a ação.Também nesta quinta-feira, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, do Fatah, encontrou-se com o primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, do Hamas, e falou duas vezes com o presidente egípcio Hosni Murabak, com o objetivo de por fim à crise. Os grupos responsáveis pelo seqüestro de Shalit são ligados ao Hamas.Segundo fontes israelenses, o adiamento da ação também teve como objetivo inibir possíveis críticas internacionais contra uma campanha de grande amplitude em Gaza. Em Moscou, os ministros do Exterior do G-8 (grupo que reúne as nações com maior nível de industrialização do planeta) pediram a libertação do soldado pelos palestinos e encorajaram Israel a agir com cautela.O pedido do Egito em meio a ampliação das ações israelenses pela libertação do soldado. Na madrugada desta quinta-feira, mais de um terço dos ministros que formam gabinete palestino liderado pelo Hamas foram presos, incluindo o vice-primeiro-ministro.Segundo Israel, a prisão dos 64 legisladores do Hamas será usada como moeda de troca pela liberação de Shalit. Ainda assim, fontes do Exército palestino alertaram que a janela dada para prevenir uma nova investida militar está chegando ao fim.

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