Exército de Israel convoca forças da reserva

A noite foi de relativa calma no norte de Israel, após uma seqüência de mais de 40 mísseis Katyusha lançados na noite anterior pelo Hezbollah contra a Galiléia. A maior parte caiu em terrenos abertos e não teve maiores conseqüências. "Não descartamos, caso seja necessário, executar operações em terra", disse o subchefe das Forças Armadas israelenses, general Moshé Kaplisky. Ele acrescentou que por enquanto não há decisões nesse sentido. As autoridades militares israelenses, com a autorização do governo, determinaram nesta terça-feira a convocação de três batalhões de reservistas, informou Kaplisky. Os reservistas, que serão convocados por uma ordem especial, vão substituir as unidades do Exército regular que serão transferidas para o norte do país, região mais afetada pelos foguetes do Hezbollah.Em declarações à rádio pública, o militar alertou que tanto os milicianos do Hezbollah no Líbano quanto os palestinos na Faixa de Gaza podem continuar atacando alvos civis com seus foguetes. Ele aconselhou à população que siga as instruções da Defesa Civil. O Hezbollah dispõe de um número não determinado de mísseis Zilzal, montados no Irã, com um alcance de 160 quilômetros, acrescentou. Nesta terça, Israel recebe uma delegação da ONU que deveria ter chegado ao país segunda-feira, saindo do Líbano. A missão é conseguir um cessar-fogo e explorar a possibilidade de estabelecer uma "força internacional de estabilização" na fronteira entre os dois países. O general Kaplinsy não quis comentar os aspectos políticos da missão diplomática. Mas indicou que Beirute precisa respeitar a resolução 1.559 do Conselho de Segurança da ONU, que determina o desarmamento do Hezbollah e outras milícias, que atuam independentemente das Forças Armadas libanesas. Ainda pelo texto aprovado, o Exército do Líbano deve controlar a fronteira de 110 quilômetros com Israel, desde o Mediterrâneo até o Golã. Os cerca de 5 mil combatentes do Hezbollah, mesmo não sendo desarmados, pelo menos teriam que deixar a área da fronteira com Israel, segundo Kaplinsky.AtaquesA Força Aérea, a Marinha e a artilharia israelenses continuaram na noite de segunda-feira os ataques ao Líbano. O bairro xiita de Dahia, aosul de Beirute, onde fica o quartel-general do Hezbollah, foi alvo de bombardeios. Tropas do Exército evitaram uma invasão de duasunidades de comandos libaneses, na altura do povaado de Avivim. A infantaria e a engenharia entraram durante a noite em território libanês, perto da aldeia de Rayar. As tropas destruíram duas casamatas do Hezbollah, segundo fontes militares. Kaplinsky informou em entrevista coletiva que desdeo início das operações no Líbano, há uma semana, morreram 12 civis e 13 soldados israelenses, vítimas de ataques de milicianos libanesescom seus mísseis, e de palestinos na Cisjordânia e Gaza. As ações começaram em resposta ao seqüestro de dois soldados israelenses pela milícia libanesa. Forças do corpo de infantaria mecanizada Golani encerraram suas operações no povoado palestino de Beit Hanun, ao norte da faixa autônoma de Gaza. Morreram 20 milicianos palestinos durante aIncursão. Os dois soldados seqüestrados pelos comandos libaneses e mais Guilad Shalit, capturado por milicianos palestinos numa base militar ao sul de Gaza, estão vivos, afirmou o general Kaplinsky. "Sabemos que estão vivos e faremos o possível para que eles voltem para casa", acrescentou. Fontes militares que a televisão e a rádio públicas citaram disseram que a ofensiva no Líbano "vai terminar nos próximos dias, por volta do fim desta semana ou início da próxima", mas não explicaram o motivo da previsão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.