AP Photo/Adel Hana
AP Photo/Adel Hana

Israel admite veracidade de vídeo que mostra palestino desarmado ser baleado em Gaza

Gravação, que não está datada, foi divulgada pela emissora privada israelense 10 e mostra o momento em homem é atingido por atirador de elite; ministros defendem atuação de militares 'contra terroristas de região controlada pelo Hamas'

O Estado de S.Paulo

10 Abril 2018 | 14h32

JERUSALÉM - Dois ministros israelenses defenderam o Exército nesta terça-feira, 10, após a difusão de um vídeo que parece mostrar soldados de Israel disparando contra um palestino desarmado na Faixa de Gaza e, depois, celebrando com gritos de alegria (veja abaixo).

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O vídeo, que não está datado, foi divulgado primeiro pela emissora de televisão privada 10, que não indicou como o obteve. Depois, circulou pela imprensa israelense e pelas redes sociais. Ainda não foi esclarecido se o palestino que aparece no vídeo morreu.

As imagens mostram um palestino parado perto do muro que separa Israel da Faixa de Gaza. Na sequência, o homem é atingido por disparos de uma posição militar em território israelense. No momento em que o palestino cai no chão, ouvem-se gritos de alegria que parecem proceder dos soldados.

O Exército não negou a autenticidade do vídeo e anunciou, na segunda-feira, uma investigação sobre fatos que, segundo os militares, teriam ocorrido há vários meses. Segundo o jornal "Yediot Aharonot", o vídeo foi filmado em dezembro.

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"Exagerou-se muito com este vídeo. Não são disparos contra uma pessoa qualquer, mas contra um terrorista que se aproxima da barreira em uma zona de acesso proibido e procedente de uma região controlada pelos terroristas do Hamas", disse o ministro de Segurança Interna, Gilad Erdan, à rádio pública.

"Estou convencido que tudo é correto", completou, ao dizer que trata-se de uma "reação humana" por parte dos soldados que enfrentam uma "situação de tensão".

O ministro da Educação, Naftali Bennett, defendeu na rádio militar as ações das tropas israelenses. "Julgar os soldados porque não se expressaram de maneira elegante quando estão defendendo nossas fronteiras não é sério", afirmou Bennett, líder do Lar Judaico, um partido nacionalista religioso. "Apoio os soldados."

O Exército de Israel diz que os soldados alocados ao longo da fronteira com a Faixa de Gaza só podem disparar contra manifestantes que estejam armados, se mostrem uma ameaça para a vida dos soldados, tentem se infiltrar no território israelense ou sabotar a cerca de segurança.

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A divulgação desse vídeo coincide com a polêmica sobre a atuação do Exército, após a morte a tiros de 31 palestinos em confrontos na fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza. O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, e a União Europeia pediram uma investigação independente sobre o uso de balas reais por parte de Israel, acusação rechaçada pelo Estado hebreu.

"Há anos ninguém nos ouve ou acredita a menos que lhes seja apresentado um documento de origem israelense", disse Hanan Ashraui, uma líder palestina. "A questão dos atiradores de elite (de Israel) não é nova e já é hora do mundo crer no que dizemos sem parar", completou, ao se referir ao que qualificou como repressão israelense.

A ONG israelense B'Tselem lançou na semana passada uma campanha pedindo que os soldados israelenses não atirem contra palestinos desarmados. / AFP

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