Exército de Israel mantém funcionária da ONU sob mira de armas

As Nações Unidas intensificaram hoje seus protestos contra o Exército israelense, denunciando que soldados mantiveram sob a mira de armas por duas horas uma funcionária da ONU enquanto sua casa era revistada e seu marido, detido.A reclamação seguiu-se a contínuos protestos sobre a morte de um funcionário britânico da ONU, Iaian Hook, morto a tiros por soldados israelense na semana passada. A agência de ajuda a refugiados palestinos, UNRWA, afirma que os israelenses impediram que ambulâncias chegassem rapidamente a Hook, e ele morreu antes de chegar ao hospital.No último incidente, a UNRWA reclamou formalmente com o Exército sobre o tratamento dado a uma de suas assessoras legais, Allegra Pacheco, e seu marido, que foi detido durante a busca feita na manhã de sexta-feira na casa deles na cidade de Belém, Cisjordânia.Forças israelenses reocuparam a cidade na sexta, um dia depois que um atacante suicida da região de Belém matou 11 israelenses num ônibus em Jerusalém.A UNRWA afirmou num comunicado que de 20 a 30 soldados fortemente armados cercaram a casa de Pacheco e a mantiveram sob a mira de armas. O marido dela, Abded Al-Ahmar, foi preso e recebeu uma ordem de detenção de 11 dias, segundo a UNRWA.A agência da ONU denunciou que a ação armada e o "tratamento degradante" dispensado a Pacheco e seu marido impedem seu trabalho e são "completamente contrários aos compromissos assumidos pelo governo de Israel para facilitar o trabalho da UNRWA".O Exército informou que os envolvidos na busca era do serviço secreto israelense Shin Bet. O escritório de imprensa do governo, que trata de assuntos relacionados ao Shin Bet, afirmou não ter recebido a reclamação, mas iria investigar. Segundo a UNRWA, 23 palestinos de seu pessoal na Cisjordânia estão detidos por Israel, todos menos três sem acusações.A reclamação foi apresentada em meio a contínuos protestos da agência pela morte de Hook, um alto funcionário que era responsável por fiscalizar um projeto de reconstrução do campo de refugiados de Jenin, bastante danificado durante uma ofensiva do Exército israelense em abril.O Exército do Estado judeu admitiu que um de seus soldados atingiu Hook, mas afirma que os soldados dispararam contra o complexo da ONU porque milicianos palestinos atiravam do local contra suas tropas e porque eles pensaram que Hook estava com uma arma. O Exército diz que continua a investigar o incidente.As Nações Unidas negam categoricamente que havia milicianos dentro do complexo e afirmam que Hook estava simplesmente usando um telefone celular para tentar arranjar uma retirada em segurança do pessoal da ONU durante o tiroteio.Uma porta-voz da UNRWA, Rene Aquarone, disse hoje em Genebra que Hook recebeu um único tiro nas costas quando ele estava no complexo num momento em que não havia atividades militares.

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