Exército de Israel usa palestinos como escudos, denuncia B´Tselem

O grupo israelense de defesa dos direitos humanos B´Tselem denunciou que o Exército do Estado de Israel continua a usar civis palestinos como escudos humanos em operações para prender suspeitos de extremismo, em desrespeito a uma determinação da Suprema Corte aprovada em 18 de agosto, que proíbe a prática.O Exército diz ter coibido a prática e informou ter aberto uma investigação para apurar a denúncia.Num relatório divulgado hoje, o B´Tselem lista uma série de casos nos quais a decisão da Suprema Corte de Israel foi desrespeitada.O documento cita o caso de Khaled Kamil, um morador de Jenin. Ele conta que foi obrigado pelos soldados a auxiliar na caçada a um suposto líder da Jihad Islâmica chamado Iyad Sawalha, na cidade onde mora."O comandante (do Exército israelense) me pegou e disse: ´Queremos que você entre lá, chame Iyad e diga que o melhor que ele tem a fazer é sair, pois, se ele não sair, destruiremos a casa dele e as que estão ao redor?", testemunha o palestino.O episódio ocorreu no último sábado. Sawalha recusou-se a se entregar e morreu após cinco horas de tiroteio com os soldados.Kamil escapou ileso. Outros não tiveram a mesma sorte.Em 14 de agosto último, soldados israelenses vestiram um colete à prova de balas no adolescente palestino Nidal Daraghmeh e mandaram que ele se aproximasse da casa onde um suposto militante do Hamas estaria escondido. As instruções dadas a ele eram para que trouxesse para fora todos os que estivessem dentro da casa.Quando Daraghmeh aproximou-se da casa foi baleado na cabeça e morreu. Os soldados dizem que ele foi morto pelos homens procurados. Testemunhas dizem que o tiro partiu de soldados israelenses.O episódio é um tema central do caso apresentado pelo B´Tselem à Suprema Corte, informou o grupo de defesa dos direitos humanos.O Exército diz que os soldados foram expressamente proibidos de utilizar "escudos humanos", fazer reféns ou colocar em risco a vida de civis.Ainda de acordo com o Exército, em virtude das informações reveladas recentemente pelos grupos de direitos humanos, a polícia militar investiga atualmente 30 denúncias.

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