Lilian Suwanrumpha/AFP
Lilian Suwanrumpha/AFP

Exército de Mianmar acusa formalmente líderes civis presos após golpe militar

Aung San Suu Kyi foi acusada de violar uma lei de importação e exportação, enquanto o presidente Win Myint deve responder por ter violado regras de restrição anticovid-19

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2021 | 09h00

O Exército de Mianmar, que tomou o poder do país em um golpe militar na última segunda-feira, acusou formalmente, nesta quarta-feira, 3, os líderes civis depostos, incluindo a prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.

De acordo com relatórios policiais obtidos pela agência de notícias EFE, Suu Kyi foi acusada de violar uma lei de importação e exportação, enquanto o presidente, Win Myint, responderá pelo descumprimento de restrições da anticovid-19.

A prêmio Nobel da Paz de 1991 - e conselheira de Estado até o golpe de segunda - está em prisão domiciliar desde segunda-feira. Ainda de acordo com a agência espanhola, Suu Kyi foi detida por ter em sua casa um equipamneto de rastreio telefônico de uso autorizado apenas para o governo e militares, o que pode render até três anos de prisão.

A prisão das principais lideranças da Liga Nacional para a Democracia (LND), partido dos principais políticos detidos pelo Exército, é motivo de preocupação para lideranças partidárias, que pedem a libertação imediata dos detidos.

Um deputado da LND, que também está em prisão domiciliar, demonstrou preocupação com Aung San Suu Kyi em entrevista à agência francesa AFP. "Nos disseram que [Aung San Suu Kyi] estava em prisão domiciliar em sua casa de Naypyidaw", disse. E completou: "Mas estamos preocupados".

Resistência ao golpe organiza primeiro ato

Funcionários de vários hospitais públicos de Mianmar pararam de trabalhar nesta quarta-feira ou usaram fitas vermelhas em manifestações de protesto contra o golpe militar. A campanha de desobediência civil é um dos primeiros sinais de oposição pública à tomada militar.

O recém-formado Movimento de Desobediência Civil de Mianmar disse em um comunicado que médicos de 70 hospitais e departamentos médicos de 30 cidades aderiram ao protesto.

O grupo acusou o exército de colocar seus interesses acima das dificuldades das pessoas durante um surto de coronavírus que matou mais de 3.100 pessoas em Mianmar, um dos maiores índices de mortalidade no sudeste da Ásia.

"Não podemos aceitar isso", disse Myo Myo Mon, de 49 anos, que estava entre os médicos que pararam de trabalhar para protestar. "Faremos isso de forma sustentável, faremos de forma não violenta ... Esta é a rota que nossa conselheira deseja", disse ela, referindo-se a Suu Kyi por seu título.

O LND disse em um comunicado que seus escritórios foram invadidos em várias regiões e pediu às autoridades que parassem o que chamou de atos ilegais após sua vitória nas eleições de 8 de novembro.

Apesar da organização e do protesto da oposição, os militares vão consolidando seu domínio após o golpe. A junta militar liderada pelo general Min Aung Hlaing apresentou o novo conselho de governo, composto por oito generais. O formato é o mesmo adotado por juntas militares anteriores, que governaram Mianmar por quase meio século até 2011./ EFE, AFP e EFE

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