AFP PHOTO / MANDEL NGAN
AFP PHOTO / MANDEL NGAN

Exército de voluntários vasculham os bairros inundados de Houston

Para ajudar as autoridades, sobrecarregadas nas operações de salvamento, equipes de resgate formadas por civis atravessam o Texas para socorrer pessoas ilhadas nas inundações causadas pelas chuvas da tempestade Harvey

O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2017 | 15h39

CYPRESS, ESTADOS UNIDOS - Arrastando barcos atrás de suas picapes, equipes de resgate formadas por voluntários atravessam o Texas para socorrer as pessoas que ficaram ilhadas nas inundações causadas pelas fortes chuvas da tempestade Harvey.

Uma ajuda particularmente apreciada na periferia pela polícia local, sobrecarregada pelos estragos do furacão Harvey. "Facas, cordas, arreios, água, coletes salva-vidas para as crianças... com sorte, é tudo do que precisamos", enumera Tyrel Cox. Aos 31 anos, o funcionário de uma plataforma offshore não hesitou em pegar a estrada com seu pai e seu barco, saindo de Waco, no norte do Texas.

"Fui guarda-costas, tenho um barco, e eles lançaram um pedido de ajuda, então viemos", explica, com as mãos no volante e se preparando para liderar um comboio de dezenas de carros e barcos reunidos à espera de saber onde a polícia do condado de Harris precisa de ajuda.

Após arrasar Houston, quarta metrópole dos Estados Unidos com 2,3 milhões de habitantes, as inundações paralisavam boa parte da aglomeração, atingindo mais de seis milhões de pessoas, pois o socorro oficial tem dificuldades para chegar.

Nada de caminhões de bombeiros ou ambulâncias nas ruas de Cypress. Apenas a polícia local e este exército improvisado de voluntários percorrem esta pequena cidade da periferia noroeste de 46.000 habitantes.

"Pessoas chegam de todas as partes, incluindo daqui, para nos ajudar a ver se ainda há pessoas presas em suas casas", explica uma policial. "Nosso homens já estão muito ocupados, não conseguem nem mesmo chegar até aqui (...) então os moradores e o escritório do xerife devem se unir e tentar ver o que pode ser feito", acrescenta a agente Simon.

"Estamos tentando chegar a um bolsão onde os habitantes provavelmente não têm mais eletricidade, não podem carregar seus telefones ou acessar as redes sociais para pedir ajuda, então tentamos enviar voluntários", explica.

'Pessoas como nós'

Lee Dejong, de 29 anos, espera ao lado de seu carro para partir em busca de moradores ilhados. Ele veio com um colega de Austin, 1h30 de distância ao noroeste de Houston, assim que ouviu que as inundações ameaçavam a cidade e sua periferia, onde um de seus colegas mora.

Na estrada, os dois compraram um barco de ocasião, oferecido no Facebook. Com pudor, se esquivam da pergunta sobre o preço e afirmam apenas que escolheram um pequeno porque tinham apenas um carro. Mas, em um estacionamento, encontraram dois jovens de Hempstead, perto de Cypress, que tinham um veículo maior. 

"Queríamos ajudar. Eles tinham um barco e nós uma picape", explica Armando Guerra, de 24 anos.  Os quatro esperam as ordens da polícia de Harris à margem de uma estrada que se tornou um verdadeiro rio.

Mais ao sul, em Clodine, um bairro de Houston Ouest, a cena se repete. Andrew Brennan veio com um barco da Louisiana, onde as cicatrizes do furacão Katrina, que destruiu parte de New Orleans em 2005, seguem vivas.

"Viemos porque eles foram nos ajudar no furacão Katrina", afirma. Ele dirigiu mais de cinco horas para chegar até Houston. "É a nossa primeira operação de resgate, espero poder ajudar."

Através de um aplicativo e em coordenação com os moradores, esses voluntários trocam informações sobre a localização de habitantes ilhados.

Foi ao ver o nível da água subir em sua casa em Clodine que a família Alvarez pediu ajuda. Após várias horas, enfim foi salva por uma equipe de voluntários.

Ainda trêmula, Sonia Alvarez diz que esperava ver "bombeiros ou esse tipo de pessoa". "Mas foram pessoas como nós que vieram nos ajudar (...) pessoas com as quais frequentamos a escola, como nossos vizinhos." Antes de concluir: "Uma coisa é certa, tenho orgulho de ser texana e de Houston". / AFP

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