Exército deixa Kirkuk e curdos assumem

Objetivo é conter radicais sunitas, que avançam no norte do Iraque eprometem tomar Bagdá; ofensiva rebelde faz preço do petróleo subir

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2014 | 02h00

Tropas curdas assumiram ontem o controle da cidade de Kirkuk, após as forças do governo central iraquiano a terem abandonado em meio ao avanço da milícia radical sunita Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isil, na sigla em inglês) que ameaça a unidade territorial iraquiana. Os insurgentes, por sua vez, juraram que marcharão sobre Bagdá.

"O Exército desapareceu", afirmou o governador de Kirkuk, Najmaldin Karim.

Em Mossul - a segunda maior cidade do Iraque, conquistada pelos rebeldes na terça-feira - o Isil organizou um desfile com os blindados de transporte americanos (humvees) que roubaram das forças oficiais iraquianas, após expulsá-las de toda a região com pouca ou nenhuma resistência.

Dois helicópteros, também capturados das autoridades, sobrevoaram o desfile dos militantes, na primeira vez em que os radicais sunitas demonstram ter obtido poder de fogo aéreo desde que começaram sua insurgência no Iraque e na Síria.

A emissora de televisão oficial do governo iraquiano mostrou imagens do que afirmou ser um bombardeio da Força Aérea iraquiana nas imediações de Mossul.

De acordo com informações do jornal New York Times, a recente ofensiva dos radicais sunitas partiu do território sírio. Após cruzar a fronteira e conquistar Mossul, no norte do Iraque, os insurgentes avançaram em direção ao sul - e de Bagdá -, tomando Baiji na quarta-feira, o que levou ao fechamento da maior refinaria de petróleo iraquiana, e Tikrit, cidade natal do ditador Saddam Hussein.

Ontem, os insurgentes cercaram a refinaria. O governo americano, porém, afirmou que o complexo de processamento de petróleo continuaria sob controle das autoridades iraquianas.

Os insurgentes tomaram posições ainda na Província de Diyala, cuja capital, Baquba, fica a 60 quilômetros de Bagdá.

Incerteza. O avanço sunita no norte do Iraque e a notícia da intervenção curda em Kirkuk, um dos grandes polos produtores de petróleo no país, fez com que o preço do insumo subisse 4%, o maior aumento em quatro meses. O valor do barril de petróleo do tipo Brent foi para US$ 112. / REUTERS e NYT

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