Exército dissolve Parlamento e suspende Constituição

Militares falaram que permanecerão no governo por seis meses ou até as próximas eleições

Associated Press e Efe

13 de fevereiro de 2011 | 12h10

 

 

 

 

CAIRO - As Forças Armadas do Egito anunciaram que estão dissolvendo o Parlamento e suspendendo a Constituição do país, dois pontos chave nas demandas dos manifestantes pró-democracia.

 

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Em seu último comunicado, divulgado neste domingo, 13, os líderes militares que tomaram o poder após a queda do presidente Hosni Mubarak na última sexta-feira, dizem que irão governar o país por seis meses, ou até quando eleições presidenciais e parlamentares puderem acontecer.

 

Os dirigentes militares disseram que estavam formando uma comissão para reformular a Constituição e estabelecer as regras de um referendo popular que aprove as emendas.

 

Tanto a câmara baixa como a alta do Parlamento foram dissolvidas. As últimas eleições parlamentares de novembro e dezembro são suspeitas de terem sido manipuladas pelo partido governante, eliminando praticamente qualquer representação da oposição.

 

O atual gabinete de ministros, nomeado por Mubarak pouco depois das manifestações em massa a favor da democracia, iniciadas em 25 de janeiro, permanecerá até que se forme um novo gabinete, algo que não deve ocorrer até as próximas eleições.

 

O conselho militar reiterou que cumprirá com todos os tratados internacionais acordados pelo Egito durante o governo de Mubarak, especialmente o tratado com Israel.

 

Durante este domingo, manifestantes voltaram a se reunir na Praça Tahrir no centro do Cairo. O clima ficou tenso quando policiais militares e soldados tentaram remover tendas que estavam na praça. Houve empurra-empurra, mas não há relatos de prisões ou feridos.

 

Os manifestantes disseram que só sairão do local depois que os Exército anunciar um programa concreto com implementação de reformas democráticas.

 

Também neste domingo, dezenas de policiais se reuniram na frente do Ministério do Interior para reivindicar aumento salarial e melhora das condições trabalhistas.

 

"Assim como o povo, nós também sofremos injustiça por parte do regime", afirmou em declarações à televisão um dos policiais, Emad Basiyuni.

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