Exército do Chile assume culpa por crimes da era Pinochet

Pela primeira vez, o Exército do Chile assumiu responsabilidade institucional pelas maciças violações dos direitos humanos cometidas durante a ditadura comandada pelo general Augusto Pinochet (1973-90). "O Exército tomou a difícil, mas irreversível, decisão de reconhecer as responsabilidades que teve, como instituição, em todos os atos puníveis e inaceitáveis do passado", disse o comandante do Exército chileno, general Juan Emílio Cheyre, em nota oficial. O presidente do Chile, Ricardo Lagos, qualificou o documento como "um passo histórico". "Me enche de satisfação e orgulho que o Exército chileno tenha declarado, de maneira absolutamente clara, que as violações dos direitos humanos não podem ter uma justificativa ética para ninguém", disse Lagos em comunicado divulgado no Rio de Janeiro, onde participa da cúpula do Grupo do Rio. Até agora, o Exército e os oficiais militares chilenos insistiam que os abusos cometidos durante a ditadura haviam sido responsabilidade individual de oficiais que agiam fora das políticas institucionais. De acordo com um relatório oficial publicado no início dos anos 1990, cerca de 3.190 pessoas foram assassinadas por motivos políticos durante os anos do regime de Pinochet; dezenas de milhares foram presas e torturadas ou forçadas ao exílio.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.