Exército do Congo captura bastião rebelde

O exército da República Democrática do Congo (RDC) capturou hoje um dos últimos redutos da milícia rebelde M23 em um momento no qual o número de refugiados na vizinha Uganda ultrapassa os 10 mil.

AE, Agência Estado

30 de outubro de 2013 | 17h02

"O número de congoleses que procuram refúgio em Uganda subiu de 5 mil para mais de 10 mil em poucas horas nesta quarta-feira", disse Lucy Beck, porta-voz da agência de refugiados das Nações Unidas em Uganda.

A queda de Bunagana, na fronteira com a Uganda, aconteceu quando o chefe político do M23, Bertrand Bisimwa, cruzou a fronteira ugandense a caminho de Kampala, capital do país. Agentes humanitários relataram intensos tiroteios.

Julien Paluku, governador da província congolesa de Kivu do Norte, disse que Bunagana está de volta às mãos dos militares depois que os rebeldes se retiraram da cidade, na fronteira com a Uganda.

O porta-voz do governo do Congo, Lambert Mende, pediu que as autoridades de Uganda transfiram Bisimwa. Porém, o tenente coronel ugandense Paddy Ankunda disse que o líder rebelde não ficaria preso no país.

"Bisimwa cruzou a fronteira hoje com veículos oficiais que foram roubados em novembro, em Goma. Estamos contando com a colaboração de nossos vizinhos", disse Mende, reforçando o pedido para que o governo de Uganda não ofereça refúgio para o chefe político do M23.

O movimento M23 surgiu em abril de 2012, tornando-se mais um grupo rebelde tutsi insatisfeito com o governo congolês. A vizinha Ruanda, cujo presidente é também da etnia tutsi, é suspeita de fornecer armas e treinamento aos milicianos do M23. O governo, porém, nega as acusações, dizendo que o governo do Congo não foi capaz de policiar o seu vasto território.

Os militares do Congo enfrentam os rebeldes do M23 há um ano e meio. Uganda media as conversações de paz entre governo e rebeldes desde dezembro. Porém, as negociações estão paradas desde o início deste mês, antes dos confrontos entre as forças congolesas.

Baixas do M23 nos campos de batalha não necessariamente significam o fim do grupo, nem da violência no leste do Congo, uma região de vastas riquezas minerais onde grupos insurgentes têm operado, lutando por acesso aos recursos da exploração de cobre, cobalto, tungstênio e outros minerais e metais que se encontram sob o solo. Fonte: Associated Press.

Tudo o que sabemos sobre:
CongorebeldesRDCM23

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.