Exército do Egito começa a retirada de tendas da Praça Tahrir; clima é tenso

Há empurra-empurra entre manifestantes e policiais; Forças Armadas devem se reunir ainda hoje para decidir futuro do país

Associated Press e Reuters

13 de fevereiro de 2011 | 08h30

Empurra-empurra entre policiais militares e manifestantes. Foto: Suhaib Salem/Reuters

 

CAIRO - Os comandantes do Exército egípcio ordenaram neste domingo, 13, que os manifestantes deixem a Praça Tahrir, símbolo da revolta que derrubou o presidente Hosni Mubarak, gerando tensão entre policiais militares e manifestantes que se encontram no local.

 

Veja também:

especialInfográfico: A lenta agonia de Hosni Mubarak

blog Cronologia: O dia a dia da crise egípcia

video TV Estadão:  Alegria nas ruas do Cairo

blogArquivo: A Era Mubarak nas páginas do Estado

lista Perfil: 30 anos de um ditador no poder

 

"O Exército é a espinha dorsal do Egito. A solução não é remover-nos da praça", disse um manifestante em um alto-falante, enquanto o exército adentrava na praça, empurrando e, ocasionalmente, batendo com paus nas tendas."Eles devem responder às nossas reivindicações." O clima entre manifestantes e policiais militares é tenso, mas até o momento não há relatos de violência.

 

O manifestantes dizem que só deixam o local após as Forças Armadas implementarem reformas democráticas.

 

O país árabe mais populosos do mundo está dando os seus primeiros passos em direção à democracia e os organizadores de protesto estão formando um "Conselho de Curadores" para defender a revolução e negociar com um Exército que quer que a vida volte ao normal.

 

"Nós não queremos nenhum manifestante sentado na praça depois de hoje", disse Mohamed Ibrahim Moustafa Ali, o chefe da polícia militar, aos manifestantes, enquanto soldados removiam as barracas da praça, epicentro da oposição ao governo de 30 anos de Mubarak.

 

Perto do Ministério do Interior do Egito, tiros foram ouvidos durante uma protesto de centenas de policiais descontentes com seus salários, segundo uma testemunha. Segundo informações da Reuters, que cita um segurança no local, os tiros foram de aviso para o alto.

 

O gabinete egípcio, nomeado quando Mubarak ainda estava no poder, não irá sofrer uma grande remodelação e ficará para supervisionar a transição política para o governo civil nos próximos meses, disse um porta-voz do gabinete à Reuters.

 

Uma reunião de gabinete, marcada para mais tarde neste domingo, poderia dar algumas respostas aos manifestantes com fome de mudança após a revolução que chocou e encantou o Oriente Médio, enviando um aviso aos governantes autocráticos da região.

 

"O formato do governo vai ficar até que o processo de transformação esteja acabado dentro de poucos meses, então, um novo governo será nomeado com base nos princípios democráticos em vigor", disse o porta-voz, acrescentando alguns cargos podem mudar de mãos.

 

"A principal tarefa deste governo é restabelecer a ordem e a segurança e também iniciar o processo econômico, e cuidar da vida do dia-a-dia", disse ele.

 

Leia ainda:

link As últimas horas de Mubarak no poder

link Halim, estudante, líder quase por acaso

linkEgito recupera paulatinamente a normalidade após a revolução

linkEgito investiga e proíbe viagem de ex-ministros, diz TV

 


 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.