Exército do Egito saúda novo presidente; ambos brigam por poder

Sentado entre dois generais do Egito, o recém-eleito presidente islâmico Mohamed Mursi observou uma cerimônia de recrutas militares na quinta-feira em um cenário rigorosamente coreografado, muito parecido com os da era de Hosni Mubarak.

MARWA AWAD E TOM PFEIFFER, Reuters

05 de julho de 2012 | 14h44

Para além das formalidades, um jogo mais sutil está sendo disputado, enquanto os adversários de longa data se preparam para o que deverá ser uma guerra dos islâmicos para reduzir a influência do Exército, que governou o país durante 60 anos.

Mursi, que assumiu o poder no sábado, no primeiro mandato de fato popular na história do Egito, teve seus poderes reduzidos na véspera de sua vitória pelos generais, que desconfiam dos islâmicos tanto quanto seu antigo comandante-em-chefe, Mubarak, deposto no ano passado em uma revolta popular.

O novo presidente rapidamente entrou em sintonia com as manifestações de pompa militar, que são um clássico da vida nacional egípcia, embora as Forças Armadas não tenham lhe dado nenhum poder sobre seus assuntos.

O governo que ele tenta formar poderá deixar os ministérios mais poderosos nas mãos do Exército, que também tem a última palavra sobre as novas leis desde que desmantelou a câmara baixa do Parlamento, dominada pela Irmandade Muçulmana, de Mursi, após uma decisão da Justiça que encontrou falhas no processo eleitoral.

Em suas oito décadas de existência, a Irmandade tem procurado evitar o confronto direto com o poder e Mursi parece seguir a tradição - trabalhando nos bastidores para fazer avanços graduais dentro do Estado monolítico.

"É uma dança de escorpiões entre os dois", disse uma autoridade do governo, comentando sobre a dinâmica entre o grupo de Mursi e a liderança militar.

Oficialmente, o Exército assumiu o controle dos futuros poderes de Mursi ao conceder para si o poder de veto sobre uma nova constituição.

Mas o mandato popular do presidente lhe dá força para exigir poder a fim de combater a corrupção e a pobreza e restaurar a estabilidade - demandas daqueles que lideraram o levante que derrubou Mubarak, antigo comandante da Força Aérea.

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