Exército do Iêmen mata pelo menos 140 rebeldes xiitas

O exército do Iêmen matou pelo menos 140 rebeldes xiitas que tentaram tomar uma instalação do governo na cidade montanhosa de Saada, no norte do país. Foi o pior embate entre ambos os lados desde a ofensiva militar de 11 de agosto, de acordo com uma fonte do exército iemenita.

AE, Agencia Estado

20 de setembro de 2009 | 11h33

Depois do incidente, confrontos localizados irromperam na região de Harf Sufyan, província de Amran, segundo testemunhas. Na sexta-feira, o governo tinha anunciado a suspensão unilateral do conflito, que poderia se tornar um cessar fogo permanente se os rebeldes, sustentados pelo Irã segundo o governo, aceitassem as condições para a paz. Um porta-voz dos insurgentes disse que estudaria tais condições, mas as hostilidades foram retomadas no sábado.

A principal exigência é que os xiitas respeitem o cessar fogo, liberem as estradas, saiam de suas posições de combate e libertem civis e soldados capturados.

O jornal Asharq Al-Awsat, informou hoje que o principal comandante dos rebeldes, Abdul Malek al-Huthi, considerou mentirosa a oferta de paz do governo e negou que seu grupo seja apoiado financeiramente pelo Irã. "O governo quer usar a trégua para fins militares. E não somos ligados a qualquer entidade regional ou internacional; dependemos de Deus", afirmou. "Se o governo rever sua posição, melhorar seu comportamento e lidar conosco como cidadãos que têm direitos, incluindo aquele de aderir ao ensino do Islam, não haverá problemas", acrescentou.

A mais recente onda de conflito já dura cinco semanas e obrigou dezenas de milhares de civis a abandonar suas casas, de acordo com grupos de ajuda humanitária. O governo acusa os rebeldes de quererem restabelecer o reinado dos Zaidis, uma forma de governo clerical encerrada após um golpe de estado em 1962 e que iniciou um período de oito anos de guerra civil. Um ramo do Islã xiita, os Zaidis são minoria no Iêmen, de maioria sunita, mas são a maior parte da população do norte do país.

A Organização das Nações Unidas estima que 150 mil pessoas tiveram que deixar suas casas desde a retomada do conflito, em 2004. Os rebeldes Zaidis também são conhecidos por Huthis, depois que seu líder Hussein Badr Eddin al-Huthi, foi assassinado pelo exército em setembro de 2004.

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