Exército do Irã ameaça porta-aviões dos EUA

Teerã 'aconselha' embarcação que saiu do Golfo pelo Estreito de Ormuz a não retornar

TEERÃ, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2012 | 03h05

O Irã ameaçou ontem agir contra um porta-aviões dos EUA que havia deixado na semana passada o Golfo Pérsico caso a embarcação retorne à região. O aviso foi feito pelo comandante do Exército iraniano, Ataollah Salehi, após Teerã concluir exercícios navais perto do Estreito de Ormuz - porta de entrada do Golfo, por onde passa 40% da produção mundial de petróleo - e ameaçar fechar a passagem em resposta a novas sanções.

"Recomendamos ao navio de guerra americano que passou pelo Estreito de Ormuz e foi ao Golfo de Omã que não retorne ao Golfo Pérsico", afirmou o comandante do Exército em entrevista à agência de notícias Fars, referindo-se ao porta-aviões USS John C. Stennis. "A República Islâmica não repetirá o aviso", completou. A embarcação é parte da 5.ª Frota, cuja base fica no Bahrein, vizinho do Irã.

Por meio do porta-voz do Pentágono, George Little, o governo americano afirmou que manterá todas as operações navais no Golfo Pérsico "como vem fazendo há décadas". As forças americanas na região, afirmou, continuarão "em seu estado constante de elevada vigilância" e manterão seus deslocamentos "de acordo com o direito internacional".

Little, porém, tentou evitar uma escalada retórica com Teerã. Questionado sobre se os EUA planejam reforçar sua presença na região do Estreito de Ormuz, ele apenas afirmou que "ninguém no governo (dos EUA) quer um confronto no estreito. É preciso baixar a temperatura".

Ontem, a França defendeu que a União Europeia aplique sanções mais duras contra o Irã, a exemplo das medidas recém-adotadas pelo Congresso americano. Alain Juppé, chanceler francês, pediu sanções direcionadas contra ativos do Banco Central do Irã, além de um embargo ao petróleo iraniano.

No dia 30, chanceleres europeus discutirão a proposta.

Faxina interna. Os sinais externos de determinação do Irã ocorrem enquanto o regime tenta reprimir vozes dissonantes dentro do país, a dois meses da eleição legislativa.

Ontem, foi condenada a 6 meses de prisão Faezeh Hashemi, filha do ex-presidente Ali Akbar Hashemi Rafsanjani. Acusada de disseminar "propaganda contra o sistema islâmico", ela acabou banida da política iraniana. / NYT

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.