Exército do Paquistão anuncia morte de cerca de 60 militantes

Avanço taleban provoca fuga de civis no nordeste do país; centenas abandonam cidade por confrontos

Agências internacionais,

06 de maio de 2009 | 09h28

O Exército paquistanês afirmou que as forças de segurança do país mataram aproximadamente 60 militantes, em um bastião do Taleban no noroeste do país. Um comunicado do Exército sustenta que as tropas responderam a ataques de militantes localizados no entorno de várias minas de esmeralda, no Vale do Swat. O texto informa que dois soldados morreram, nesta quarta-feira, 6, pela explosão de uma bomba no norte do vale. Outros dois soldados morreram em um ataque a uma estação elétrica perto da principal cidade do Vale do Swat, Mingora, segundo os militares.

 

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Os militares paquistaneses afirmam que morreram aproximadamente 35 militantes perto das minas de esmeralda e outros 27 na vizinha Buner, onde tropas impediram o avanço do Taleban em direção à capital Islamabad. A resposta militar no Swat deve agradar Washington, que pede ao Paquistão uma ação firme contra os militantes, culpados pelo aumento da violência no país e em solo afegão. O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, e seu colega norte-americano, Barack Obama, devem se encontrar ainda nesta quarta-feira, em Washington.

 

A violência nas áreas tribais da fronteira com o Afeganistão aumentou depois que o governo decidiu endurecer a relação com o Taleban. Até fevereiro, Zardari, vinha apostando numa política de concessões aos rebeldes, o que permitiu ao Taleban impor aos moradores do Swat a lei islâmica (Sharia) e expandir sua presença para o distrito vizinho, Buner. Diante da pressão do Ocidente - especialmente dos governos dos EUA e da Grã-Bretanha - o presidente paquistanês ordenou o envio de tropas e lançou uma ofensiva aérea contra os rebeldes. Um dos temores dos americanos é que o avanço taleban acabe dando aos insurgentes acesso às instalações nucleares do Paquistão, único país islâmico com armamento atômico.

 

Uma fonte oficial citada previamente pelo canal de televisão Dawn TV disse, por sua vez, que os confrontos causaram 80 mortes, 35 delas de civis. "Há informações sobre algumas mortes de civis, mas não posso confirmar nada disso", disse o porta-voz militar, Athar Abbas. Segundo Abbas, os taleban "têm o controle de várias áreas de Swat. Eles ocuparam escritórios e a residência do Administrador regional. Estamos tentando enfrentar esta situação".

 

A fonte assegurou que, "por enquanto, não há uma operação formal" do Exército contra os insurgentes de Swat, mas somente "respostas a seus ataques". Os confrontos desta quarta no vale parecem anunciar uma grande operação do vale de Swat, de onde 40 mil civis fugiram para buscar refúgio em outras regiões, segundo um cálculo da ONU.

 

Fuga de civis

 

Centenas de civis paquistaneses fugiram das localidades de Makan, Qamber e Rahimabad, no Vale do Swat, depois que o governo alertou para o perigo de novos combates entre insurgentes taleban e militares do Exército paquistanês, apoiados por paramilitares da etnia pashtun. "Foi pedido aos moradores que deixassem essas áreas, consideradas um reduto da insurgência taleban", disse Zahid Bunairi, porta-voz do governo da Província da Fronteira Noroeste, que inclui o Vale do Swat.

 

Horas depois, o governo suspendeu o alerta, mas já era tarde para conter a fuga em massados civis que tentavam deixar os arredores de Mingora, capital do distrito de Swat, na direção das outras cidades da região. "Estou levando minha família a Peshawar porque, se houver confrontos, ninguém pode nos proteger", disse Mohammad Karim à agência Reuters, enquanto buscava um ônibus que o levasse ao seu destino.

O governo estima que até 1 milhão de habitantes fuja nos próximos dias do choque entre as forças do governo e militantes taleban, que tentam ampliar o controle sobre o Vale do Swat. A possibilidade de uma crise humana levou a administração do distrito a preparar acampamentos de emergência para receber o crescente fluxo de refugiados internos, informou uma emissora de televisão local. Moradores disseram que militantes taleban haviam cercado uma base da força paramilitar que apoia o governo em Mingora. Os rebeldes também teriam assumido o controle de uma central elétrica e de outros edifícios, além de bloquearem as ruas da capital do distrito com homens armados.

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