Exército do Paquistão desmente rumores de golpe

O poderoso Exército paquistanês prometeu na sexta-feira que continuará apoiando a democracia, e reiterou que não planeja tomar o poder, em meio a uma crescente tensão causada por um memorando que apontava a preparação de um golpe.

FAISAL AZIZ E SHEREE SARDAR, REUTERS

23 de dezembro de 2011 | 10h54

Ao mesmo tempo, assessores do impopular presidente Asif Ali Zardari negaram que ele tenha a intenção de deixar o país por causa do escândalo. Um porta-voz presidencial afirmou que Zardari retomou suas atividades após tratamento médico e está no Paquistão "para ficar".

Em nota, o Exército disse que seu comandante, general Ashfaq Kayani, dirigiu-se às tropas para reiterar o compromisso com a democracia e afastar "especulações" sobre o golpe.

A crise abre uma nova frente de preocupação para os EUA, que têm no Paquistão um importante aliado no combate a militantes islâmicos no vizinho Afeganistão. As relações entre os dois países, no entanto, estão abaladas nos últimos meses devido a incidentes como a ação militar secreta dos EUA que resultou na morte do militante Osama bin Laden em território paquistanês, em maio, e um bombardeio que matou 24 militares paquistaneses na região da fronteira com o Afeganistão, no mês passado.

Shazia Marri, dirigente do partido de Zardari, disse que o presidente - conhecido por sua capacidade de resistir a crises - não pretende abandonar o Paquistão. "Isso é tudo especulação, e tal especulação já se provou infundada no passado também", disse ele à Reuters.

O presidente da Suprema Corte, Iftikhar Chaudhry, também tratou de esvaziar as tensões, dizendo que a Justiça não reconheceria um golpe militar. "Acabaram os dias em que as pessoas costumavam obter a validação dos tribunais para ações inconstitucionais", disse.

Kayani, provavelmente o homem mais poderoso do Paquistão, exigiu uma investigação sobre o chamado "memogate".

O escândalo começou em 10 de outubro, quando o empresário Mansoor Ijaz escreveu um artigo no Financial Times dizendo que um diplomata paquistanês de alto escalão pedira para entregar ao Pentágono um memorando solicitando aos EUA que evitassem um golpe militar, nos dias que se seguiram à ação militar que matou Bin Laden.

Ijaz posteriormente identificou o diplomata como sendo o embaixador paquistanês em Washington, Husain Haqqani, um aliado de Zardari que negou envolvimento na polêmica.

Editoriais nos jornais paquistaneses de sexta-feira salientaram o ambiente de tensão no Paquistão, um país com armas nucleares, prevendo um confronto entre Zardari e os militares. "Um espectro assombra o Paquistão - o espectro do choque entre o Exército e o governo, que ameaça ser fatal", disse o The News em editorial.

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