Exército do Sudão estuprou 221 mulheres e meninas em ataque, diz ONG

Segundo o relatório da Human Right Watch, os ataques de outubro foram premeditados, com soldados invadindo casa por casa no vilarejo de Tabit; governo sudanês nega que caso tenha ocorrido

O Estado de S. Paulo

11 de fevereiro de 2015 | 14h53

Tropas do Exército sudanês estupraram 221 mulheres e meninas em um ataque a um vilarejo da região de Darfur no ano passado, denunciou nesta quarta-feira, 11, a organização não governamental Human Rights Watch.  

Segundo o relatório da ONG, publicado nesta quarta-feira, os ataques de outubro foram premeditados, com soldados invadindo casa por casa no vilarejo de Tabit. O incidente marca "um novo ponto baixo na situação sudanesa", disse Daniel Bekele, diretor da organização para a África.

O caso é visto como um dos responsáveis pelo recente esfriamento das relações entre o Sudão e a comunidade internacional. Relatos de estupros em massa começaram a surgir em outubro. Num primeiro momento, a missão de paz conjunta da União Africana e das Nações Unidas afirmou não ter encontrado evidência sobre o caso. No entanto, o enviado da ONU para observar abusos sexuais disse que a forte presença de militares sudaneses durante a visita do grupo pode ter inibido as vítimas.

O Conselho de Segurança pediu ao Sudão que permitisse uma investigação completa do caso. No entanto, o presidente sudanês, Omar al-Bashir, fechou o escritório da ONU para direitos humanos no país, e impediu que forças de paz voltassem ao vilarejo novamente. Ainda segundo o governo sudanês, uma investigação foi feita e "não foi encontrado nenhum relato de estupro".

O novo relatório, baseado em mais de 130 entrevistas telefônicas com vítimas, testemunhas e soldados, afirma que garotas de até 10 anos de idade foram estupradas pelos militares. Em alguns casos, mulheres foram estupradas diversas vezes e na frente da família. A Human Rights Watch "documentou 27 casos separados de estupro, e obteve informações verossímeis sobre outros 194 casos".

De acordo com vítimas e testemunhas, os soldados entravam nas casas e acusavam seus moradores de ter matado um militar ou ajudado os rebeldes. Depois, estupravam as mulheres da casa.

"Muitas das vítimas e testemunhas disseram ainda que oficiais do governo ameaçaram prender ou matar qualquer um que falasse sobre os estupros", escreveu a entidade. Entre as autoridades está o emissário do governo, Al-Hadi Mohammed Abdallah Abdelrahman.

A Human Rights Watch pede que o Sudão permita imediatamente o acesso ao vilarejo e o Conselho de Segurança tome "medidas concretas" para proteger civis em Darfur. A entidade ainda pede que a Corte Internacional de Justiça investigue os casos. / ASSOCIATED PRESS

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