Exército dos EUA desenvolveu antraz em pó

Durante anos, cientistas do Exército americano desenvolveram uma forma de antraz em pó finíssimo, a fórmula mortal utilizada nos atentados postais de setembro e outubro que mataram 5 pessoas nos EUA. Funcionários do laboratório do Exército em Utah, o Dugway Proving Ground, confirmaram ter produzido o pó seco do antraz nos últimos anos, de acordo com reportagens nos jornais The Washington Post, The New York Times e The Baltimore Sun.Segundo o Times, é a primeira vez que o governo admite a produção do antraz em sua forma mais letal desde que, em 1969, os EUA renunciaram a seus arsenais biológicos. Os cientistas do laboratório Dugway trabalharam com antraz desde 1992, e em 1998 transformaram o antraz úmido em pó para testar modos de defesa contra um ataque bacteriológico.Os esporos de antraz encontrados nos últimos meses em Nova York, Connecticut, Washington, New Jersey e Flórida eram ligados à mesma cepa, ou tronco. É uma cepa relativamente comum e usada em vários laboratórios americanos, e não há evidência de que o material do Dugway tenha sido usado nos atentados postais.O antraz pode ser produzido de várias formas, mas o mais perigoso é o apresentado em forma de pó, que pode espalhar-se no ar e ser inalado, instalando-se nos pulmões. Até a última ameaça com antraz, os cientistas do Dugway mandavam amostras de antraz, através do FedEx, para o centro de biodefesa do Exército em Fort Detrick, no Estado de Maryland, onde a bactéria era submetida à radiação para perder sua periculosidade antes de retornar a Dugway para experimentos. Essas amostras, segundo comunicado do Dugway, eram transportadas em forma úmida para minimizar o risco de contaminação acidental.O pessoal do Exército disse ao Post que o envio desse material estava de acordo com a lei federal. O comunicado também garantiu que todos os tipos de antraz desenvolvidos pelos cientistas do Dugway estão sendo considerados pelo FBI em suas investigações. O tenente-coronel Dave Ecker recusou-se a dar maiores informações à Associated Press.Embora os EUA tenham assinado um tratado internacional banindo o uso de armas biológicas, pequenas quantidades podem ser usadas para pesquisas. Cinco casos fatais de inalação de antraz foram relatados desde que foram encontrados esporos em envelopes enviados pelo correio. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças confirmaram 18 casos de exposição ao antraz - 11 por inalação e 7 através da pele.Leia o especial

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