Exército dos EUA vai propor mudança no Iraque

Líderes militares dos Estados Unidos pretendem recomendar mudanças na estratégia do país para o Iraque, informou nesta sexta-feira uma autoridade americana. O chefe do Estado-Maior das Forcas Armadas dos EUA, general Peter Pace, disse que oficiais estão mantendo suas próprias discussões e que podem adotar mudanças necessárias na estratégia. Além dos militares, o governo também vai ouvir políticos sobre o conflito iraquiano. O presidente americano, George W. Bush, deve se encontrar na segunda-feira com representantes do Grupo de Estudos do Iraque (Iraq Study Group, em inglês), uma força-tarefa com integrantes dos dois maiores partidos no Congresso dos Estados Unidos. O grupo apresentará sugestões para acabar com o conflito. O Iraque foi uma das principais causas da derrota dos republicanos, o partido de Bush, nas eleições parlamentares e de governos Estaduais realizadas nesta semana. Após o resultado, o secretário americano de Defesa, Donald Rumsfeld, renunciou ao cargo. Rumsfeld deve ser substituído pelo ex-diretor da CIA, Robert Gates, que faz parte do Grupo de Estudos do Iraque. A Casa Branca afirmou estar preparada para receber novas idéias sobre o conflito. Correspondentes internacionais nos Estados Unidos têm dito que uma mudança na política americana para o Iraque não está descartada. Duas opções Pace disse à rede de televisão americana CBS que líderes militares estão fazendo uma avaliação crítica sobre o trabalho americano no Iraque. ?Nós precisamos dar uma boa e honesta avaliada sobre o que está funcionando e o que não está funcionando (...) e o que nós devemos mudar no que estamos fazendo.? Segundo Pace, a saída de Rumsfeld não deve ter impacto direto na avaliação da estratégia. ?Nós revisamos continuamente o que está dando certo, o que está dando errado, o que precisa mudar?, disse. O ex-secretário americano de Estado, James Baker, que preside o Grupo de Estudos do Iraque, tem dito que ?manter a linha de ação?, como afirma Bush, é uma estratégia de longo prazo insustentável. O Grupo tem analisado duas propostas, ambas em oposição direta às políticas do governo Bush. A primeira prevê a retirada de tropas americanas em fases. A segunda é buscar uma aproximação com a Síria e com o Irã, para que os dois países ajudem a acabar com os conflitos. A democrata Nancy Pelosi, principal liderança da oposição na Casa dos Representantes, disse nesta semana que a política americana atual é um ?caminho catastrófico?. 100 mil a 150 mil No Iraque, o ministro da Saúde do país afirmou que já morreram entre 100 mil e 150 mil civis na guerra, um número muito maior do que vinha sendo divulgado até então. Autoridades iraquianas dizem que o total é calculado a partir da estimativa de corpos trazidos a hospitais e cemitérios. Os números são controversos. Diferentes estimativas apontam desde 50 mil a 650 mil mortos. Em novembro, 23 soldados americanos morreram no Iraque. Nesta sexta, três soldados morreram em dois incidentes, de acordo com o Exército.

Agencia Estado,

11 Novembro 2006 | 11h38

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