Exército é novo alvo de protestos no Egito

Manifestantes prometem manter militares pressionados para garantir reformas democráticas

Associated Press

17 de fevereiro de 2011 | 17h46

CAIRO - Uma semana após a queda de Hosni Mubarak no Egito, a normalidade voltou à maioria das regiões do país, mas os jovens que derrubaram o presidente convocando revoltas populares agora pressionam o Exército, que governa de forma provisória, para evitar que a nação no norte da África volta a ter um regime autoritário, e não democrático, como demanda a população. Para a sexta-feira, foi convocada uma marcha de um milhão de pessoas para manter a pressão por reformas democráticas.

 

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"Estou aqui para monitorar como os militares estão levando o país", disse Nasser Abdel-Hamid, engenheiro de computação de 28 anos, membro dca Coalizão dos Jovens da Revolução de 25 de Janeiro. Outro ativista do grupo, Abdel-Rahman Sami, diz que "é preciso manter a pressão e formar um grupo para negociar em nome da revolução, para fazer a voz do povo ser ouvida e não apenas ser um receptor dos comunicados dos militares".

 

O Conselho Supremo do Exérito assumiu o controle do país após a renúncia de Mubarak, que estava há 30 anos no poder. Os militares se comprometeram em comandar a transição para um governo civil e democrático e, segundo os anúncios do último final de semana, isso ocorrerá em no máximo seis meses. Eles também disseram que dissolveriam o governo, que mantém algumas das figuras aliadas a Mubarak, e incluiriam membros da oposição no gabinete.

 

Até agora, porém, esses governantes antigos não foram removidos. Os opositores temem que o país possa voltar ao autoritarismo caso as reformas democráticas não sejam implementadas e, para isso, pedem a dissolução do Partido Nacional Democrático, a legenda do ex-presidente. "Resquícios do antigo sistema ainda operam na sociedade. Estão tentando uma contrarrevolução", disse Mohammed Abbas, membro da Irmandade Muçulmana, principal bloco opositor.

 

Os organizadores da revolução - em sua maioria jovens, usuários de ferramentas da internet - não querem se organizar em um partido enquanto o país estiver no período transitório. Eles alegam que a formação de uma legenda traria rachas e modificaria a revolta sem lideranças que trouxe mudanças ao país até então. Em vez disso, eles já se reúnem com os militares e planejam manter as pressões por suas demandas como o fizeram durante os 18 dias de protestos.

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