Exército egípcio pretende suspender Parlamento e Constituição, diz agência

Segundo fonte militar, plano, que será adotado se ultimato dado a Morsi não for cumprido, pode mudar

O Estado de S. Paulo,

02 de julho de 2013 | 12h41

(Atualizada às 17h30) CAIRO - Caso o ultimato para o fim da crise política no Egito não seja atendido, as Forças Armadas do país pretendem suspender a Constituição e dissolver o Parlamento, disseram fontes militares à agência Reuters nesta terça-feira, 2. As fontes afirmaram que o plano ainda está sendo desenvolvido e pode mudar com base em consultas e mudanças no cenário político.

Um dos líderes da Irmandade Muçulmana, Mohamed al-Beltagui, convocou os egípcios a sacrificar suas vidas para impedir um golpe de Estado do Exército. "O que podemos oferecer aos mártires da revolução é buscar o martírio para impedir o golpe", disse.

O grupo de oposição Frente 30 de junho, que aos milhões tem saído às ruas para pedir a renúncia de Morsi, designou o diplomata Mohammed ElBaradei, ex-diretor da Agência Nacional de Energia Atômica (AIEA) como representante em uma futura transição política. "A Frente confia a ElBaradei a responsabilidade de garantir a execução das reivindicações do povo egípcio e de preparar um cenário para a transição política", disse o grupo em comunicado.

Ontem, o presidente egípcio Mohamed Morsi disse por meio de um porta-voz que não foi consultado pelo Exército antes do ultimato divulgado pelas Forças Armadas e seguirá seus próprios planos para uma reconciliação nacional.

"O presidente da República não foi consultado sobre a declaração emitida pelas Forças Armadas", disse o a presidência egípcia, em comunicado. "A Presidência vê que algumas declarações por elas transmitidas acarretam significados que podem causar confusão no complexo ambiente nacional. A presidência confirma que levará adiante seu caminho previamente traçado para promover uma ampla reconciliação nacional ... independentemente de quaisquer declarações que aprofundem as divisões entre os cidadãos."

Democracia. O presidente dos EUA, Barack Obama, telefonou para Morsi nesta terça-feira e disse que a crise só poderá ser resolvida com conversas com a oposição, informou a Casa Branca em um comunicado. "Democracia é mais do que apenas eleições...Também envolve garantir que todas as vozes estão sendo ouvidas e representadas em seu governo." 

Os confrontos desta terça-feira entre apoiadores de Morsi e manifestantes contrários ao presidente deixaram sete mortos, segundo o ministro da Saúde./ REUTERS

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