Exército entra na ´capital histórica´ das FARC

Soldados do Exército colombiano entraram nesta sexta-feira em La Uribe, última das cinco cidades da antiga zona desmilitarizada que ainda não estava ocupada pelas forças do governo e considerada "capital histórica" da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).Os guerrilheiros já haviam abandonado completamente a cidade, de 10 mil habitantes, na semana passada, quando o presidente colombiano, Andrés Pastrana, ordenou a retomada da área de 42 mil quilômetros quadrados concedida às Farc havia três anos para servir de sede para negociações de paz.Segundo fontes de inteligência do Exército, a cidade abrigava também o principal acampamento do líder supremo e fundador das FARC, Pedro Antonio Marín - mais conhecido como Manuel Marulanda ou Tirofijo (tiro certeiro). Apesar do simbolismo da cidade para as FARC, toda a área urbana de La Uribe foi ocupada pelas forças governamentais sem combates.A campanha dos rebeldes contra a infra-estrutura do país, no entanto, prosseguiu nesta sexta-feira com a explosão de mais torres de energia e telecomunicações em vários pontos do país. O serviço de telefonia celular está ameaçado de colapso em todo o país e, segundo a principal operadora, o prejuízo com os ataques acumula US$ 21,5 milhões só neste ano.A explosão de pontes e os bloqueios de estrada mantêm isolada cidades como Florencia, no sul do país. Para evitar o desabastecimento na cidade, o governo colombiano enviou para Florencia aviões carregados de mantimentos, que não podem ser transportados pelas estradas que a guerrilha tornou intransitáveis.Uma delegação do governo - formada pelos ministros do Interior Justiça, Agricultura, Transporte e Saúde - também viajou para a cidade isolada. A ausência de combate contra as FARC na área causou nesta quinta-feira a demissão do general Gustavo Porras, encarregado militar da área de Caquetá, departamento do qual Florencia é capital. Nesta sexta, outros quatro altos oficiais da mesma unidade pediram baixa por causa das falhas que permitiram a ação das FARC na região.Combates esporádicos entre combatentes das FARC e as forças do Exército e paramilitares direitistas têm sido registrados em vários pontos do país.Em Medellín, a explosão de uma granada numa estação de metrô causou ferimentos em quatro policiais e dois civis. As autoridades atribuíram o ataque às FARC.Depois de decretar medidas que sobrepõem as decisões militares às autoridades civis de vários departamentos, o governo colombiano anunciou ações contra o esquema de financiamento das FARC. Segundo o procurador-geral do país, Luis Camilo Osorio, a guerrilha injetou no ano passado US$ 400 milhões no mercado financeiro colombiano.

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