REUTERS/Erik De Castro
REUTERS/Erik De Castro

Exército filipino combate islamistas em cidade onde cerca de 2 mil civis estão bloqueados

Confrontos em Marawi tiveram início depois de um ataque das forças de segurança contra o suposto esconderijo de Isnilon Hapilon, considerado o chefe do Estado Islâmico nas Filipinas

O Estado de S.Paulo

29 Maio 2017 | 10h27

MARAWI, FILIPINAS - O Exército filipino prossegue com os combates contra a insurreição de islamistas nesta segunda-feira, 29, pelo sétimo dia consecutivo, em uma cidade do sul do país na qual 2 mil civis estão bloqueados.

O presidente filipino, Rodrigo Duterte, decretou lei marcial em Mindanao, a segunda maior ilha do arquipélago, pouco depois do início da batalha contra os homens armados, que afirmam pertencer ao grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

As batalhas nas ruas e o bombardeio incessante de alguns bairros por parte do Exército, no entanto, não conseguiram acabar com a crise em Marawi, uma das maiores cidades muçulmanas no arquipélago majoritariamente católico.

Autoridades calculam que 2 mil habitantes da região, que tem 200 mil moradores, estão bloqueadas. "Nos enviam mensagens de texto, pedem ajuda", afirmou Zia Alonto Adiong, porta-voz do governo regional. "Não podem sair porque estão com medo de cair em postos de controle administrados por homens armados."

As autoridades acusam os islamistas pela morte de 19 civis, incluindo mulheres e crianças. Além disso, 17 membros das forças de segurança e 61 insurgentes morreram nos combates.

Na manhã de domingo, oito corpos foram encontrados sob uma ponte do subúrbio de Marawi. Myrna Bandung, católica, afirmou à imprensa que estava com as oito pessoas quando elas foram assassinadas. "Não me mataram porque eu soube recitar uma oração muçulmana. Os outros não tiveram tanta sorte", disse.

O Exército anunciou a intensificação da campanha de bombardeios para acabar com a rebelião, o que aumentou a angústia dos civis que permanecem em Marawi. Ao ser questionado sobre o temor dos civis a respeito dos bombardeios, o porta-voz do Exército, general Restituto Padilla, declarou que os bombardeios aéreos serão realizados com precisão.

O general, no entanto, afirmou que bombardeios serão feitos em qualquer área na qual combatentes islamistas permanecem escondidos. Tiros foram registrados nesta segunda-feira perto de uma universidade.

Relembre: Presidente das Filipinas diz que já matou para dar exemplo

Os combates de Marawi tiveram início depois de um ataque das forças de segurança contra o suposto esconderijo de Isnilon Hapilon, considerado o chefe do EI nas Filipinas. Os EUA o consideram um dos terroristas mais perigosos do mundo e oferecem uma recompensa de US$ 5 milhões por seu cadáver. Ele também é um dos dirigentes de Abu Sayyaf, grupo islamista especializado em sequestros.

Apesar da ação das forças de segurança, dezenas de combatentes conseguiram evitar os militares e saquear a cidade, onde hastearam bandeiras do EI. Eles também sequestraram um padre e 14 fiéis em uma igreja e incendiaram edifícios. Não há notícias sobre o paradeiro dos reféns.

Duterte e os comandantes do Exército afirmam que a maioria dos combatentes islamistas pertence ao grupo Maute, que declarou lealdade ao EI. Mas o presidente também acusou os criminosos locais de apoiar a organização em Marawi. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.