Exército filipino é acusado de praticar tortura psicológica em crianças

Segundo denúncias, jovens estiveram presentes nos interrogatórios dos pais e teriam sido ameaçados para que eles confessassem pertencer ao grupo Abu Sayyaf

Efe,

27 de agosto de 2007 | 01h20

Oito menores com idade entre 4 e 16 anos supostamente sofreram tortura psicológica por parte de soldados do Exército filipino que perseguem o grupo radical islâmico Abu Sayyaf na ilha de Jolo, no sul do arquipélago. Bai Racma Imam, diretora do Departamento de Bem-estar Social e Desenvolvimento na Região Autônoma do Mindanao Muçulmano, acusou membros das unidades de Forças Especiais não só de violar os direitos humanos, mas também de abusar dos menores, informou nesta segunda-feira, 27, o jornal The Philippine Daily Inquirer. Os jovens foram capturados junto com seus pais, no dia 19 de agosto, na aldeia de Indanan, e em seguida foram transferidos, acompanhados por seis adultos, a uma base militar na cidade de Jolo, 980 quilômetros ao sul da capital. Quando foram entregues dias depois às agências humanitárias locais, os jovens asseguraram às autoridades que estavam presentes nos interrogatórios de seus pais e que os militares apontaram armas para obrigar-lhes a confessar que eram terroristas do grupo radical islâmico Abu Sayyaf. Uma menina de 13 anos disse que os soldados os ordenaram ainda a cavar seus próprios "túmulos". Segundo os serviços sociais, os menores estão totalmente aterrorizados e não conseguiram retornar à escola, enquanto José Manuel Mamauag, representante regional da Comissão de Direitos Humanos das Filipinas, está reunindo provas para processar os militares que participaram das supostas torturas. O comandante das Forças Especiais em Jolo, o brigadeiro-general Ruperto Pabustan, negou os fatos e reconheceu apenas que cerca de cinco pessoas continuam sob sua custódia "porque são suspeitos de pertencer ao Abu Sayyaf". Cerca de 24 mil pessoas deixaram suas casas nas últimas semanas em Basilan e Jolo para escapar da ofensiva do Exército contra este grupo radical, vinculado à rede Al-Qaeda. O Abu Sayyaf, fundado em 1991 por ex-combatentes da guerra do Afeganistão contra a União Soviética, é considerado um grupo terrorista pelos governos de Washington e Manila.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.