Exército impõe toque de recolher no Cairo

Após distúrbios deixarem 130 feridos na capital do Egito, junta militar adota medida de emergência; eleição presidencial ocorre em 3 semanas

CAIRO, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2012 | 03h06

A menos de três semanas das eleições presidenciais, novos confrontos entre manifestantes egípcios e forças de ordem no Cairo deixaram ontem cerca de 130 feridos, segundo fontes médicas. Ativistas, porém, falam em 300 pessoas feridas. Após os confrontos, a junta militar que governa o Egito anunciou um toque de recolher no centro da capital.

O primeiro turno da disputa presidencial egípcia está marcado para os dias 23 e 24. O veto à candidatura de um político salafista, seita ultrarradical islâmica, levou centenas de religiosos para a frente do Ministério da Defesa no início da semana - eles acusam os militares de estarem por trás do Comitê Eleitoral. Após os manifestantes serem atacados por homens vestidos como civis, na quarta-feira, outros grupos que se opõem à junta militar aderiram aos protestos.

Ontem, forças de segurança usaram canhões d'água contra a multidão diante do ministério. Manifestantes responderam jogando pedras e tentaram ultrapassar a barreira de arame farpado que tinha sido montada para isolá-los.

Imagens transmitidas ao vivo na TV egípcia mostravam soldados batendo com bastões de metal em um manifestante e arrancando-lhe a camisa. Militares ainda apareceram carregando um colega aparentemente desmaiado.

Novo papel. Pela primeira vez em 15 meses de transição política no Egito, os salafistas ficaram na linha de frente nos combates com as tropas antidistúrbio. Até agora, os radicais que pregam o retorno ao que dizem serem os hábitos, valores e leis do tempo do Profeta Maomé tinham papel secundário nos protestos.

Após horas de protestos, a polícia avançou sobre barracas que os manifestantes haviam montado, ateando fogo nas instalações. Alguns subiram no teto de uma universidade na região, de onde começaram a atirar pedras contra as forças de segurança.

O estopim do protesto dos salafistas foi o veto à candidatura de Hazem Abu Ismail. O Comitê Eleitoral afirmou que ele não poderia disputar, pois a mãe dele tem cidadania americana, o que supostamente violaria a lei eleitoral egípcia. Egípcios, porém, afirmam que a decisão veio de cima, do Conselho Supremo das Forças Armadas.

A alguns quilômetros do Ministério da Defesa, na Praça Tahrir, milhares de manifestantes reuniram-se novamente para exigir a saída imediata dos militares. O protesto foi organizado pela Irmandade Muçulmana, por 80 anos o mais organizado grupo de oposição do Egito. / REUTERS e AP

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