Exército indiano tenta resgatar reféns de hotel em chamas

Premiê da Índia acusa estrangeiros por ataques que mataram 125; inimigos, paquistão nega envolvimento

Agências internacionais,

27 de novembro de 2008 | 16h02

Oficiais indianos resgataram alguns dos reféns mantidos em dois luxuosos hotéis de Mumbai nesta quinta-feira, 27, durante a ofensiva contra militantes armados que promoveram uma onda de atentados terroristas na cidade considerada o centro financeiro da Índia. Forças especiais do Exército combatem os homens armados dentro do hotel Oberoi Trident, onde era possível ver grandes focos de incêndio, segundo imagens de televisão. Mais cedo, as pessoas detidas no hotel Taj Mahal foram liberadas e todos os extremistas foram mortos, segundo as autoridades.   Veja também:Índia acusa estrangeiros por ataque; mortos chegam a 125 Falando como presidente, Obama condena atentados na Índia Não há vítimas brasileiras em ataques na Índia, diz ConsuladoLigação da Al-Qaeda com ataques na Índia é improvável Assista ao vídeo com cenas dos ataques  A polícia enfrenta os membros de um grupo de terroristas islâmicos desconhecido chamado Deccan Mujahidin, que provocou a morte de 125 pessoas e feriu outras 327. Homens armados com fuzis AK-47 e granadas entraram nos dois hotéis mais luxuosos da cidade procurando por hóspedes com passaportes americanos e britânicos, tomando reféns e trocando tiros com a polícia durante toda a madrugada. Os homens chegaram de barco, na quarta-feira, e se espalharam para atacar dois hotéis cinco-estrelas, a principal estação de trem da cidade, um hospital, um restaurante popular e um centro judaico. Segundo a polícia, eles usaram armas automáticas e dispararam indiscriminadamente.  Em pronunciamento na TV, o primeiro-ministro indiano Manmohan Singh afirmou que os terroristas teriam ligações com "forças estrangeiras" - a primeira indicação oficial de que as autoridades desconfiam de pessoas de fora do país, grupos cujas táticas são diferentes nos alvos, na audácia, na execução e no estilo em relação aos últimos atentados na Índia, segundo especialistas em terrorismo. O Paquistão, vizinho e inimigo histórico da Índia, alertou o governo indiano contra possíveis ligações de Islamabad com os incidentes em Mumbai, afirmando que a acusação "destruiria toda a boa vontade" entre os dois inimigos nucleares. Singh não se referiu diretamente ao Paquistão, país que já foi acusado anteriormente de cumplicidade em ataques anteriores, mas sua referência aos estrangeiros é um sinal de que a Índia suspeita da ligação neste plano. "Os ataques bem planejados e bem orquestrados, provavelmente com ligações externas, tinham como objetivo criar uma sensação de pânico, ao escolher alvos importantes e matar indiscriminadamente estrangeiros", disse o premiê. "Falaremos com nossos vizinhos do uso que os terroristas fazem de seu território para lançar ataques como este". O porta-voz do serviço secreto paquistanês (ISI), Zafar Iqbal, afirmou que o "Paquistão não está envolvido nos atentados de Mumbai" e criticou as autoridades indianas por "constantemente acusarem o Paquistão de estar por trás" de ataques do tipo. "Se (as autoridades indianas) têm alguma prova clara de que o Paquistão está envolvido, que façam chegar a nós. Mas elas não fazem isso porque não essas provas não existem", acrescentou.  Resgate  Com helicópteros sobrevoando o local, uma multidão comemorou quando os soldados de elite, com os rostos pintados de preto, invadiram o hotel Trident-Oberoi, onde estima-se que de 20 a 30 pessoas foram feitas reféns e mais de 100 estavam presas em seus quartos. Chamas enormes eram vistas saindo de um andar alto do edifício. Mais cedo, explosões sacudiram o Taj Hotel, cartão-postal à beira-mar com 105 anos, quando soldados expulsaram os últimos militantes que estavam ali. Fogo e fumaça saíam de uma janela aberta. Oito judeus de um centro rabínico da região também foram libertados. Pelo menos seis estrangeiros foram mortos, incluindo um australiano, um britânico, um italiano e um japonês. Os que sobreviveram contavam cenas chocantes. A atriz australiana Brooke Satchwell disse que escapou por pouco dos atiradores escondendo-se em um armário do banheiro. "Tiros eram disparados contra as pessoas no corredor. Havia alguém morto fora do banheiro", disse a atriz, tremendo, à televisão australiana. "Logo em seguida eu estava descendo as escadas correndo e havia um casal morto na escada. Era o caos." Um militante telefonou para um canal de televisão da Índia para oferecer negociações com o governo para a libertação dos reféns e para reclamar sobre abusos na Caxemira, região disputada por Índia e Paquistão em duas guerras. "Peça ao governo para falar conosco e nós libertaremos os reféns", disse o homem, identificado pelo canal de TV como Imran. Ele falava em urdu com algum sotaque da Caxemira. "Vocês sabem quantas pessoas foram mortas na Caxemira? Vocês sabem como seu Exército matou muçulmanos? Vocês sabem quantos deles foram mortos na Caxemira nesta semana?", acrescentou.  Aproximadamente 24 militantes com pouco mais de 20 anos, armados com fuzis automáticos e granadas e carregados de munição, chegaram na quarta-feira ao centro financeiro e turístico de Mumbai. Eles roubaram um veículo e dispararam contra transeuntes, além de abrir fogo indiscriminadamente em uma estação de trem, em hospitais e em um café popular entre turistas. Eles também atacaram dois dos hotéis mais luxuosos da cidade, cheios de turistas e executivos. As autoridades fecharam os mercados de ações, bônus e câmbio, mas o banco central afirmou que manterá os leilões para injetar dinheiro no mercado interbancário. Os ataques foram outro golpe para o governo às vésperas de uma eleição geral, no começo de 2009. O partido governista já era criticado por não conseguir evitar uma série de ataques a bomba em cidades indianas. A polícia informou que disparou contra sete atiradores e prendeu nove suspeitos. Ela acrescentou que 12 policiais foram mortos, incluindo Hemant Karkare, chefe do esquadrão antiterrorista de Mumbai. (Matéria atualizada às 16h35) 

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