AP
AP

Exército iraquiano anuncia libertação total de Ramadi do EI

Depois de recuperarem bairros e prédio governamental no fim de semana, forças militares anunciaram que combatentes do grupo jihadistas foram expulsos definitivamente da cidade, capital da Província de Anbar

O Estado de S. Paulo

28 de dezembro de 2015 | 12h25

BAGDÁ - As forças iraquianas anunciaram nesta segunda-feira, 28, que libertaram cidade de Ramadi, capital da Província de Anbar a oeste de Bagdá, que estava nas mãos do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) desde maio.

"Anunciamos a boa notícia da vitória da maravilhosa epopeia da recuperação de Ramadi das garras do odioso Daesh (acrônimo árabe do EI) e da libertação dos bairros da cidade um após outro", disse o Comando de Operações das Forças Conjuntas em comunicado.

Nas ruas, alguns soldados dançavam, brandindo armas, enquanto os comandantes das forças de segurança desfilavam, em comemoração a uma importante vitória ansiada há meses. O exército garantiu que os combatentes do EI não ofereceram resistência desde que abandonaram no domingo um complexo governamental estratégico, no centro da cidade.

"Ramadi foi libertada e as forças armadas de contraterrorismo hastearam bandeira sobre a sede do governo", comemorou o general de brigada Yahya Rassool à televisão estatal. Os habitantes de várias cidades saíram às ruas para comemorar esta que é a maior vitória das forças do governo desde 2014.

"Todos os combatentes do Daesh (acrônimo em árabe do EI) partiram. Não há resistência", declarou o porta-voz das forças de elite antiterroristas, Sabah Numan, informando que a região ainda precisa ser limpa das minas e armadilhas explosivas instaladas por militantes do EI antes de sua fuga.

O porta-voz americano da coalizão internacional contra o EI, Steve Warren, disse que este sucesso "é o resultado de meses de trabalho do Exército iraquiano, dos serviços de luta antiterrorista, da Força Aérea iraquiana, das polícias locais e federais e de todos os combatentes tribais, com o apoio de mais de 600 ataques aéreos da coalizão desde julho" passado.

As forças de elite antiterroristas e as tropas armadas, apoiadas por bombardeios do exército iraquiano e da coalizão comandada pelos Estados Unidos, tinham entrado com relativa facilidade na terça-feira na cidade, mas as centenas de armadilhas e artefatos explosivos instalados, combinados com ataques suicidas e de franco-atiradores, dificultaram a tomada completa da cidade seis dias depois do início da ofensiva.

Ramadi está situada 100 quilômetros a oeste de Bagdá e é a capital de Anbar, a maior província do Iraque, dividindo fronteira com Síria, Jordânia e Arábia Saudita. Uma vitória nesta cidade pode recuperar a imagem do exército iraquiano, que recebeu muitas críticas depois de perder amplas faixas de território para os jihadistas em junho de 2014.

Embora o governo iraquiano não tenha divulgado um balanço oficial de baixas durante a operação em Ramadi, fontes médicas de Bagdá reportaram centenas de feridos que foram hospitalizados no domingo. Pelo menos cinco membros das forças de segurança morreram desde a sexta-feira, de acordo com outras fontes.

Próxima etapa. A perda de Ramadi é um duro golpe para os jihadistas e permitirá às forças governamentais se concentrar na libertação de Mossul, o principal reduto do EI no Iraque. O EI conquistou Mossul em junho de 2014, mesmo mês em que Abu Bakr al-Baghdadi, proclamou o "califado" do grupo, que abrange amplas faixas territoriais do Iraque e da Síria.

A coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, que lançou 31 ataques a Ramadi ao longo da semana, parabenizou o Iraque por sua vitória. O presidente do parlamento iraquiano, Salim Jubouri, comemorou uma "vitória magnífica contra o Daesh" que "é uma plataforma de lançamento para a libertação da província de Nínive".

Nos últimos meses, porém, o grupo extremista foi perdendo terreno no Iraque. O ministro da Defesa iraquiano, Khaled Obeidi, disse na semana passada que suas tropas haviam retomado cerca de metade do território conquistado em 2014 pelo EI.

O Exército iraquiano, apoiado por milícias xiitas ou combatentes curdos, conseguiu recuperar Tikrit e Baiji, ao norte de Bagdá, e Sinjar, no nordeste.

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), os habitantes de Anbar representam um terço dos 3,2 milhões de iraquianos expulsos de seus lares desde junho de 2014. / AFP e EFE

Tudo o que sabemos sobre:
Estado IslâmicoIraqueSíria

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.