Exército iraquiano tenta recuperar Tikrit

O Exército iraquiano iniciou ontem uma ampla ofensiva terrestre para tentar recuperar a cidade de Tikrit, reduto sunita e terra natal do ex-ditador Saddam Hussein, ocupada pelo Estado Islâmico (EI) desde 11 de junho. Milicianos xiitas lutam ao lado dos soldados iraquianos, enquanto sunitas vinculados ao extinto Partido Baath, de Saddam, e a grupos tribais da região apoiam o EI. As forças leais ao governo encontraram firme resistência dos radicais sunitas.

LOURIVAL SANTANNA, ENVIADO ESPECIAL / IRBIL, IRAQUE, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2014 | 02h01

As tropas e milícias avançavam do sul e do sudoeste em direção a Tikrit, quando foram contidas por minas terrestres, disparos de metralhadoras e granadas de morteiro.

O general iraquiano Qassim al-Mussawi declarou que as forças do governo fariam um "avanço lento e gradual" para recuperar Tikrit. Não havia até ontem informações sobre baixas.

Faleh al-Issawi, vice-presidente do Conselho Provincial (equivalente à Assembleia Legislativa) de Anbar, disse ontem ao Estado que, na província de maioria sunita, cerca de 100 combatentes do Estado Islâmico foram mortos e 50 veículos destruídos nos últimos três dias por bombardeios aéreos, que ele não especificou se eram americanos ou iraquianos.

Por telefone, Issawi afirmou que os bombardeios têm sido fora das zonas urbanas e têm como objetivo cortar as linhas de suprimento. As áreas atingidas foram ao redor da represa Haditha, uma das maiores do país, e perto das cidades de Rawa e Aana. "O EI está perdendo muito e não está mais tão forte como era antes", assegurou Issawi.

O EI divulgou ontem um vídeo na internet no qual ameaça atacar os americanos se os bombardeios continuarem. O vídeo mostra um soldado americano aparentemente sendo morto por um franco-atirador e também a foto de um americano sendo decepado, no início da ocupação americana do Iraque, em meados da década passada, em ações de militantes de grupos precursores ao EI.

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) anunciou ontem em Genebra o início de uma grande operação por terra, mar e ar para distribuir ajuda humanitária às 500 mil pessoas que deixaram suas casas fugindo da ofensiva do EI.

A operação começa hoje, com o envio por avião de suprimentos do Porto de Ácaba, na Jordânia, para a capital do Curdistão iraquiano, Irbil, de onde seguirão em caminhões para o norte do território curdo, onde se concentram os refugiados da minoria yazidi, perseguidos pelos jihadistas.

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