Exército israelense mata 14 palestinos em Gaza

O exército israelense matou pelo menos 14 palestinos, entre eles uma menina de 3 anos, e feriu dezenas de pessoas em uma nova ofensiva por terra e ar contra a Faixa de Gaza, informaram nesta quarta-feira fontes de segurança palestinas.Os ataques se concentraram no bairro de Ash Shaaf, ao nordeste da Cidade de Gaza, e no campo de refugiados de Jabalya. As fontes informaram que dezenas de carros de combate, escavadeiras e outros veículos blindados entraram nesta quarta no bairro.O porta-voz do hospital de Shifa da Cidade de Gaza, Jom´a al-Saka, disse que o número de mortos chega a oito só no bairro de Ash Shaaf - onde morreu a menina de 3 anos - e que, entre os feridos, há vários em estado grave.Segundo testemunhas, os militares israelenses atiravam em todas as direções enquanto entravam na região. Um de seus carros de combate matou um palestino e feriu outros dez ao lançar uma granada.Fontes de segurança palestinas explicaram que as forças aéreas israelenses fizeram nesta quarta pelo menos quatro ataques contra milicianos palestinos que tentavam impedir a entrada dos veículos na Cidade de Gaza.A fim de evitar baixas, as forças de terra israelenses costumam identificar os lugares onde há milicianos e chamar a Força Aérea para o ataque.Como parte desta nova operação israelense na Faixa de Gaza, que o exército batizou de Colunas de Sansão, cerca de 50 carros de combate invadiram também o norte, de onde combatentes palestinos costumam lançar seus foguetes Qassam contra localidades do sul de Israel.Segundo fontes médicas palestinas, cinco palestinos morreram no campo de refugiados de Jabalya, a maior concentração de refugiados palestinos de todo Oriente Médio, com 100 mil habitantes.Os cinco palestinos de Jabalya, aparentemente milicianos do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), morreram quando um carro blindado revidou um ataque feito por eles com um foguete antitanques.Uma aeronave israelense fez disparos nesta madrugada contra um acampamento de treinamento das forças de segurança do Ministério do Interior da Autoridade Nacional Palestina (ANP), vinculadas ao Hamas, no norte da Cidade de Gaza. Oito pessoas ficaram feridas e uma delas morreu mais tarde no hospital.Com esta nova invasão no território palestino, o exército israelense continua sua luta contra as facções armadas sob a alegação da captura do soldado israelense Gilad Shalit, em 25 de junho, e do lançamento de foguetes artesanais contra Israel.Desde então, o exército israelense matou mais de 150 palestinos na Faixa de Gaza, segundo fontes palestinas.A rádio pública israelense informou nesta quarta que o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, propôs na terça-feira, em reunião na cidade cisjordaniana de Ramallah com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, a libertação de Shalit em troca da libertação de palestinos.Abbas afirmou que sua proposta tem o apoio de todas as facções palestinas, entre elas o Hamas, que lidera o governo da ANP.Segundo a proposta, Israel libertaria "presos de segurança" palestinos, cujo número total é de cerca de 8.5 mil. A ANP pede também o fim das operações militares em Gaza e na Cisjordânia e a interrupção do bloqueio econômico que asfixia os palestinos.Trata-se da primeira vez que o presidente da ANP propõe abertamente uma troca de prisioneiros com o intuito de resolver esta crise.Israel combate há duas semanas simultaneamente em Gaza e no Líbano. Neste último, o confronto começou após o Hezbollah ter matado em 12 de julho oito soldados israelenses e ter capturado outros dois, que ainda estão seqüestrados.Aviso prévioO exército israelense está ligando para alguns moradores de Gaza avisando que suas casas serão bombardeadas porque dão cobertura a terroristas, informaram nesta quarta-feira testemunhas palestinas.Trata-se de uma mensagem gravada em árabe, na qual uma voz afirma que fala em nome do exército israelense e adverte ao ouvinte que seu lar será destruído.Durante os últimos três dias sete casas nas quais viviam palestinos que tinham recebido esta mensagem de advertência foram destruídas.Nas ligações para celulares o número aparece como "privado" e por isso o promotor-geral palestino, Ahmed al Mughani, emitiu nesta quarta uma ordem para proibir que os usuários de telefones em Gaza possam não se identificar. O exército israelense não confirmou nem negou a informação.Até agora, o exército de Israel se limitava a lançar panfletos das aeronaves nas quais advertia aos palestinos que suas vidas correm perigo e, mais recentemente, que suas casas serão atacadas se forem empregadas para esconder armas.

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